quinta-feira, 26 de julho de 2012
Brincadeiras bélicas?
Esta é uma pergunta que todos os pais se fazem, apavorados, no primeiro dia em que veem seu filho com uma arma de brinquedo na mão. Apresentamos aqui algumas repostas que os ajudarão a refletir sobre esta questão.
Meu filho, meu pai, meu avô
Sem dúvida, hoje em dia as crianças têm contato diário com imagens de violência. Basta ligar a TV ou entrar no mundo dos videogames para comprová-lo. Entretanto, as brincadeiras bélicas não são uma exclusividade dos dias atuais. Nosso pais e avôs também brincavam de guerrear. É possível que os personagens e os objetos fossem diferentes, mas estes jogos cumpriam a mesma função: imitar comportamentos agressivos de outros para expressar a própria agressividade.
Função da brincadeira
Convém recordar que a brincadeira exerce uma função simbólica, ou seja, permite à criança "fazer de conta" dentro de seu mundo de fantasia. Desta forma, ela experimenta comportamentos ou realidades de outras pessoas e outros mundos, reais ou imaginários.
Por exemplo, o menino pode fingir ser um guerreiro medieval ou um super-herói que luta contra o mal e, depois de algum tempo, ser um ladrão que foge da polícia em um videogame.
Por outro lado, a brincadeira tem o poder de fazer desaparecer, mesmo que por um instante, tudo o que perturba ou contrarie seus planos. Daí a atração que exercem os jogos de luta. No entanto, isso não significa que esta experiência formará sua vida futura. Ela terá a mesma duração da brincadeira.
Vale a pena proibir?
A primeira coisa a levar em conta, ao se fazer esta pergunta, é que a agressividade é própria da natureza humana. Consequentemente, ela não desaparecerá porque sua forma de expressão foi limitada.
É muito comum observar crianças que não possuem brinquedos bélicos brincando com um galho de árvore como se fosse uma arma, ou inventando batalhas próprias de dos videogames.
É importante considerar que as brincadeiras bélicas ajudam a criança a canalizar impulsos agressivos, evitando que se manifestem por meio de brigas com seus irmãos e colegas. Elas também contribuem para tornar mais suportável o temor diante de situações violentas do cotidiano, como roubos e sequestros, na medida em que a criança as dramatiza.
Conselhos úteis
O melhor é educar com o exemplo. De nada serve proibir as brincadeiras bélicas se em casa existem atitudes de falta de respeito e agressividade. É preciso ensinar a criança a resolver suas diferenças de forma pacífica, por meio do diálogo.
É importante explicar a ela quais são os limites da brincadeira e que ela não deve se ferir, nem ferir os outros.
Enfatize, sempre que possível, que se trata de uma brincadeira. A partir dos três anos, as crianças já sabem distinguir entre fantasia e realidade.
Acima de tudo, encoraje os valores da amizade e da cooperação. Assim a criança poderá deixar em segundo plano a tendência natural à competição e à rivalidade. Na verdade, o que é preciso combater é a agressividade, não as armas que a expressam.
Perguntas aos pais
Se seu filho passa o dia todo brincando de guerra, é preciso refletir sobre esta atitude.
- Ele não sabe como expressar seus sentimentos?
- Pode estar reprimindo suas agressividade natural para agradar aos demais?
- Ele dispõe de espaço e tempo suficientes para canalizar suas energias, fazendo
esportes ou frequentando um parquinho?
- Ele costuma presenciar discussões dentro de casa ou em outros lugares que
visita?
- Passa tempo demais assistindo à TV?
Lembre-se, o mais importante é dialogar. À medida que fizer isso, você conhecerá melhor seu filho e saberá se ele pode estabelecer corretamente o limite entre fantasia e realidade. Por sua vez, ele se sentirá amado e ouvido, e recorrerá a você para resolver qualquer situação de conflito que o perturbe.
quarta-feira, 25 de julho de 2012
Faxina ou fachada?
Dilma, apelidada de “a diarista” pela faxina ética no governo, não percebeu o lixo no Turismo porque não quis. Na Agricultura e nos Transportes, a presidente pegou firme na vassoura. Mesmo quem não votou nela apoiou. Enfim, alguém começava a espanar os sujismundos em Brasília. Mas, no Turismo apadrinhado por Sarney, a diarista foi surpreendida pela limpeza promovida por 200 homens da Polícia Federal.
Só o PMDB apostava um centavo na lisura de um ministério comandado por Pedro Novais, conterrâneo do presidente vitalício do Senado, José Sarney. Para refrescar a memória, Novais, antes de assumir o Turismo, foi reembolsado pela Câmara por uma festa com 15 casais no Motel Caribe, de São Luís. Octogenário como seu mestre, casado, Novais culpou os assessores pelo “erro”. Assumiu um ministério que planejava investir R$ 257 milhões e treinar 230 mil pessoas para receber turistas na Copa do Mundo em 2014.
Isso não significa que o maranhense esteja implicado no novo escândalo – embora tenha pensado em pedir demissão. Os convênios fraudulentos para treinar agentes de turismo no Amapá e no Paraná foram assinados em 2009, quando o PT e a turma da senadora Marta Suplicy estavam no comando.
Pense bem: turismo milionário no Amapá? O Estado que em 2006 elegeu Sarney senador recebeu, no ano passado, 459 turistas estrangeiros. A maior atração é a pororoca.
Agora, a pororoca foi transferida para Brasília. Denúncias em cascata dão um ar de novela. “Insensata Corrupção” é acompanhada diariamente pelo povo. Gravações mostram empresários se tratando de “bicho” e “animal”, no capítulo dedicado ao Amapá. O ministro dos Transportes demitido por Dilma diz: “Eu não sou lixo”. Esperamos que não seja reciclável.
O roteiro da novela é confuso porque surgem mais figurantes, siglas e partidos políticos.O dinheiro desviado costuma ser estratosférico, uma grana que 99% dos brasileiros jamais verão na vida. Computadores são confiscados, sigilos são quebrados, mas os maiores amigos do poder são poupados. As maldades dos vilões chocam até a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB): “As acusações geram perplexidade, insegurança e indignação”. Os bispos alertam: “Sacrificar os bens devidos a todos é um crime que clama aos céus por lesar sobretudo os pobres”. Nem ateus discordariam.
Dilma ficou chocada não com a corrupção no Turismo – mas com as algemas usadas pela PF
Dilma e seu vice-presidente, Michel Temer, também estão “chocados”. Mas não com as ONGs de fachada, as notas fiscais falsas e a conivência de servidores num ministério que deveria servir de exemplo em véspera de Olimpíada e Copa. Estão indignados com as algemas usadas pelos policiais federais.“Pegou mal”, disse Temer.“Um acinte”, disse Dilma. “Uma operação atabalhoada”, afirmou o Planalto. O presidente da Federação dos Policiais Federais,Marcos Wink, defendeu algemas para todos: “Devem ser usadas no secretário do ministério, assim como no Joãozinho da Silva lá na favela”.
No centro da pororoca, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, fazia cara de paisagem. Garantiu desconhecer a operação que prendeu 36 pessoas no Turismo por desvio de verba. Nossa presidente não gostou. Pretende manter o controle de sua faxina seletiva e não deixar degringolar os próximos capítulos. A roteirista é ela.
Cara Dilma, começou, tem de ir até o fim. Não dá para limpar só os quartos e a cozinha. Procure os cantos das salas de estar e jantar. Retire dos armários os cabides de empregos, onde estão pendurados afilhados políticos e parentes de caciques do PMDB e do PT. Filhos, ex-mulheres, sobrinhos. Contratados sem concurso. Assuste os fantasmas, porque a opinião pública vai apoiar. Mesmo que a senhora não concorde que Ideli é “fraquinha”, desautorize- a a falar bobagens. É risível ouvir de sua comadre que a operação da PF foi “armação da imprensa”.
Não se deixe intimidar pela tal “base” rebelada.A democracia não será aperfeiçoada se seu governo liberar R$ 1 bilhão em emendas para esse bando concordar em votar o que interessa à nação. Há algo mais ridículo do que congressistas de braços cruzados, ameaçando uma “greve branca” contra a faxina? Com amigos assim, uma diarista não precisa de inimigos.
( Ruth Aquino)
Boa reflexão sobre o episódio envolvendo Demóstenes Torres.
Truques para escrever mal
As pessoas andam em busca de soluções fáceis. Querem receitas e listas para tudo, de pratos rápidos a teses de pós-doutorado, passando por instruções para conserto de carros e se comportar corretamente nas empresas. Querem a lista facilitada de posições do Kama Sutra; os fundamentos rápidos da metafísica e do futebol; as senhas para todos os sistemas possíveis; os atalhos para ganhar o primeiro bilhão. Eu poderia mandar todos para aquele lugar que se chama Google search. Lá, todo mundo sabe, você pode achar que encontra tudo e mais um pouco. Mas talvez ainda eu tenha algo a dizer a respeito de como escrever mal, que é o melhor caminho para fazer amigos, influenciar otários e galgar postos. De que serve a correção de estilo, se os tolos se impressionam com alguns macetes que vou revelar? Com eles – os tolos e os macetes – você poderá triunfar nas festas literárias, vencer concursos e se dar bem nas feiras de networking de autores.
Vamos direto ao essencial: o que vale não é escrever bem, mas fingir escrever bem. É quase tudo assim na vida, pois mais vale cacarejar que botar o ovo. Ao longo da história da cultura, a muleta se revelou mais útil que o pensamento claro. Por isso, vou citar de cara o escritor inglês George Orwell. Na sua crônica “A política e a língua inglesa”, publicado no Payment Book em 11 de outubro de 1945, e no Horizon, em abril de 1946 – agora republicado no volume Como morrem os pobre e outros ensaios, organizado por João Moreira Salles e Matinas Suzuki Jr., edição da Companhia das letras - Orwell fez uma lista de “vários dos truques por meio dos quais o trabalho de construção da prosa é habitualmente evitado”. Isso para depois dar seus seis conselhos para o bem escrever. Como se trata de um texto antigo, o tempo fez reverter quase tudo o que ele aconselhou. O que vale agora é quase exatamente o inverso dos seis pontos de Orwell. Por isso, devo usar suas dicas como maus exemplos. Pois elas servem, no máximo, para escrever para revistas, não para vencer na literatura – que é o que queremos, certo? Então, vamos lá. Anote aí – ou melhor, recorte e cole aí meus oito truques para escrever livros, dar palestras e conversar com o pessoal nas festas literárias. Procure segui-los na ordem.
1. Cause efeito. Ou simplesmente cause. Diga algo bem polêmico que tire o ar do leitor ou da audiência. Tire do nada, sem propósito. Um bom recurso é usar o método da autoficção, transformando-se você mesmo um herói do romance da vida. Misture uma atividade intelectual a outra pedestre. Diga que você medita sobre o ser-aí de Heidegger enquanto corre ou joga bola. Isso vai encantar. Ou então faça controvérsia. Discuta qualquer tema, mas por um ângulo inesperado. Faça de você mesmo um mito. Use de seu charme pessoal para fazer o marketing literário ideal.
2. Hipnotize seu interlocutor. Esta parte é importante. Conquiste a presa elogiando-a, chamando-a para si. Num romance, pegue o leitor pela mão e o carregue para uma história cheia de detalhes apimentados. Pisque para ele, com uma gracinha ou ironia quaisquer. Numa palestra, leia um trecho de seu texto com voz grave e tom oracular, como se estivesse lendo seu testamento estético. Faça o ouvinte sentir o enlevo de uma oração longa e sentimental.
3. Seja irrelevante. Diga abobrinhas à vontade, porque assuntos inúteis criam empatia com seu interlocutor, público ou leitor. Escolha um assunto bem banal. Pode ser a filosofia de seu cachorro, como despir o ser amado ou a beleza de uma certa modelo. Podem ser dicas de viagem, de como preparar um omelete ou bebericar um vinho caro. O importante aqui é surpreender a patuleia. Não adianta ser irrelevante sem causar espanto. Por exemplo: se o seu cão é filósofo, declare que você descobriu que ele, na verdade, plagiou o Tractatus logico-philosoficus de Ludwig Wittgenstein ou O mundo como vontade e representação (Die Welt als Wille und Vorstellung), de Arthur Schopenhauer. Cite-os em alemão. E explique as razões que o levaram à conclusão. Faça uma denúncia grave contra o animal. Demonstre cada ponto. E assim por diante. Não deixe por menos.
4. Faça-se de vítima. Diga ou escreva que você ou seu personagem sofreu “bullying” na infância, junto aos pais, na escola ou com amiguinhos malvados. Não use termos vernaculares como “fui perseguido” ou “sofri agressão”. Diga “bullying” que tudo fica mais moderno e compreensível. Invente um episódio sinistro e conte detalhes de como os adultos maltratavam você quando criancinha, em detalhes os mais escabrosos. Demonstre que você sofre agora mais do que nunca como o ocorrido. Isso o livrará de quase todo o confronto. Uma vez vitimizado, você pode tudo. Chore em público.
5. Use metáforas, símiles e figuras de linguagem que todos conhecem de ouvido, mas cujo significado não conhecem bem e, por conseguinte, causem impressão. Não há nada mais eficaz que uma imagem surrada, as metáforas moribundas e cretinas. Use-as para que ninguém se sinta excluído. Nestes tempos politicamente corretos e de inclusão social e ecológica, é preciso se fazer entender. Cuidado para não se valer de figuras antigas, como “misturar alhos com bugalhos” ou “caiu na rede é peixe”. São metáforas que de tão velhas se tornaram originais. Prefira falar de um “mundo sustentável”, de “governança corporativa”, “inovações tecnológicas” e “sinalização de tendências”. Tudo tem que ser “emblemático” e, melhor ainda, “paradigmático”.
6. Não economize pretensão. Seja metido a besta, fale de sua última viagem a Londres ou Shangai e cite os jornais certos. Não valem os nacionais. Impressione-os com seu conhecimento, mesmo e sobretudo se você não tem nenhum. Quanto menos você conhecer, mais fácil será simular que conhece. Esbanje notas de rodapé (tenha em mente que o David Foster-Wallace ficou famoso assim) ou digressões (Laurence Sterne do Tristram Shandy, ou Brás Cubas do Machado, lembra?). Valha-se de expressões estrangeiras ou mesmo barbarismos. Mostre que é categórico em algumas afirmações fortes. Cite os intelectuais da moda (por exemplo, Jacques Derrida e Roland Barthes caíram em desuso já faz tempo, não ouse mencioná-los, pois agora os quentes são Giorgio Agamben, Slavoj Zizek ou Christopher Hitchens). Não adianta apenas mostrar o nível avançado em filosofia ou economia política; é preciso estar antenado com as tecnologias de ponta, com o Twitter, o Tumblr etc. Conte uma piada para exibir o quanto você sabe sobre scripts dinâmicos que você ou seu personagem usa no seu blog. Isso vale para livros de ficção, não-ficção, autoajuda e infanto-juvenis. Vale também para conferências, chats e bate-papos virtuais ou não.
7. Degrade a língua. Você estará fazendo um serviço à ecologia. Desgaste as expressões mais usadas como se as tivesse engastando-as no mais perfeito poema parnasiano. Corrompa a sintaxe, use expressões estrangeiras, transforme o idioma em um instrumento para seu uso, e sob seu domínio. Faça as locuções pré-fabricadas tomarem conta do discurso. Se houver uma expressão mais clara, corte-a imediatamente, para que a simulação não seja descoberta. Abuse de termos estrangeiros, principalmente em inglês. Jamais se faça as seguintes perguntas: o que estou tentando dizer? Que palavras vou usar? Que imagem ou expressão idiomática deixará meu texto mais claro? Pule essas questões embaraçosas e vá em frente.
8. Desobedeça todas as regras acima, em caso de desvantagem. Se você observar que não está sendo popular, então infrinja tudo o que arrolei anteriormente. Vire um sábio de verdade, corte as palavras inúteis, represente seriedade, finja sentir a dor que deveras sente. Qualquer coisa para reverter as expectativas. Siga o venerando tuíte de Goethe: “Seja transgressivo, e os deuses o abençoarão”. Pelo menos é assim que os programadores linguísticos gostam de fazer: no final de uma lista, quebrá-la. Funciona.
Sim, a vida é dura. Não basta apenas saber de cor as dicas, mas também se desfazer delas quando necessário. A constante busca de aperfeiçoamento e inovação na literatura e nas festas literárias nos obriga a recorrer a todo tipo de ferramenta retórica. Não se esqueça de que você estará sendo medido em cada um de seus neurônios. Por isso, busque o efeito correto para cada situação. Faça mentiras soarem verdadeiras, faça a ignorância parecer conhecimento. Substitua o estilo genuíno pelo chavão mais acachapante. Se preciso, em ultima instância, tente ser original, fingindo que finge. Mas cuidado para não por tudo a perder por excesso de zelo. Não brilhe demais para não ofender os outros – e, principalmente, os críticos.
(Luís Antônio Giron escreve às terças-feiras.)
Centenário de Nelson Rodrigues
Nelson Falcão Rodrigues (Recife, 23 de agosto de 1912 — Rio de Janeiro, 21 de dezembro de 1980) foi um importante dramaturgo, jornalista e escritor brasileiro, tido como o mais influente dramaturgo do Brasil.
Nascido no Recife, Pernambuco, no ano de 1912, mudou-se em 1916 para a cidade do Rio de Janeiro. Quando maior, trabalhou no jornal A Manhã, de propriedade de seu pai. Foi repórter policial durante longos anos, de onde acumulou uma vasta experiência para escrever suas peças a respeito da sociedade. Sua primeira peça foi A Mulher sem Pecado, que lhe deu os primeiros sinais de prestígio dentro do cenário teatral. O sucesso mesmo veio com Vestido de Noiva, que trazia, em matéria de teatro, uma renovação nunca vista em nossos palcos. A consagração se seguiria com vários outros sucessos, transformando-o no grande representante da literatura teatral do seu tempo, apesar de suas peças serem taxadas muitas vezes como obscenas e imorais. Em 1962, começou a escrever crônicas esportivas, deixando transparecer toda a sua paixão por futebol. Veio a falecer em 1980, no Rio de Janeiro.
Características da obra
O teatro entrou na vida de Nelson Rodrigues por acaso. Uma vez que se encontrava em dificuldades financeiras, achou no teatro uma possibilidade de sair da situação difícil em que estava. Assim, escreveu "A mulher sem pecado…", sua primeira peça. Segundo algumas fontes, Nelson tinha o romance como gênero literário predileto, e suas peças seguiram essa predileção, pois as mesmas são como romances em forma de texto teatral. Nelson é um originalíssimo realista. Não é à toa que foi considerado um novo Eça. De fato, a prosa de Nelson era realista e, tal como os realistas do século XIX, ele criticou a sociedade e suas instituições, sobretudo o casamento.
Sendo esteticamente realista em pleno Modernismo, Nelson não deixou de inovar tal como fizeram os modernos. O autor transpôs a tragédia grega para o sociedade carioca do início do século XX, e dessa transposição surgiu a "tragédia carioca", com as mesmas regras daquela, mas com um tom contemporâneo. O erotismo está muito presente na obra de Nelson Rodrigues, o que lhe garante o título de realista. Nelson não hesitou em denunciar a sordidez da sociedade tal como o fez Eça de Queirós em suas obras. Esse erotismo realista de Nelson teve sua gênese em obras do século XIX, como "O Primo Basílio", e se desenvolveu grandemente na obra do autor pernambucano. Em síntese, Nelson foi um grande escritor, dramaturgo e cronista, e está imortalizado na literatura brasileira.
Acervo
O Cedoc – Centro de Documentação da Funarte possui amplo acervo sobre o dramaturgo, como fotos de peças, programas das produções teatrais, resenhas e comentários sobre espetáculos teatrais, entre eles Vestido de Noiva, encenado pela primeira vez para um Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Boa parte dos registros fotográficos de peças do dramaturgo existentes no Cedoc foram feitos pelo Estúdio Foto Carlos, que, nas décadas de 40, 50, 60, 70 e 80 e foram digitalizadas graças ao projeto Brasil Memória das Artes, incluindo registros de raridades, como uma participação de Nelson Rodrigues como ator. No Portal da Funarte ainda é possível ver vídeos produzidos sobre o dramaturgo e sua obra.
Fonte: wikipedia.
Conheça as obras desse Anjo pornográfico.
Nascido no Recife, Pernambuco, no ano de 1912, mudou-se em 1916 para a cidade do Rio de Janeiro. Quando maior, trabalhou no jornal A Manhã, de propriedade de seu pai. Foi repórter policial durante longos anos, de onde acumulou uma vasta experiência para escrever suas peças a respeito da sociedade. Sua primeira peça foi A Mulher sem Pecado, que lhe deu os primeiros sinais de prestígio dentro do cenário teatral. O sucesso mesmo veio com Vestido de Noiva, que trazia, em matéria de teatro, uma renovação nunca vista em nossos palcos. A consagração se seguiria com vários outros sucessos, transformando-o no grande representante da literatura teatral do seu tempo, apesar de suas peças serem taxadas muitas vezes como obscenas e imorais. Em 1962, começou a escrever crônicas esportivas, deixando transparecer toda a sua paixão por futebol. Veio a falecer em 1980, no Rio de Janeiro.
Características da obra
O teatro entrou na vida de Nelson Rodrigues por acaso. Uma vez que se encontrava em dificuldades financeiras, achou no teatro uma possibilidade de sair da situação difícil em que estava. Assim, escreveu "A mulher sem pecado…", sua primeira peça. Segundo algumas fontes, Nelson tinha o romance como gênero literário predileto, e suas peças seguiram essa predileção, pois as mesmas são como romances em forma de texto teatral. Nelson é um originalíssimo realista. Não é à toa que foi considerado um novo Eça. De fato, a prosa de Nelson era realista e, tal como os realistas do século XIX, ele criticou a sociedade e suas instituições, sobretudo o casamento.
Sendo esteticamente realista em pleno Modernismo, Nelson não deixou de inovar tal como fizeram os modernos. O autor transpôs a tragédia grega para o sociedade carioca do início do século XX, e dessa transposição surgiu a "tragédia carioca", com as mesmas regras daquela, mas com um tom contemporâneo. O erotismo está muito presente na obra de Nelson Rodrigues, o que lhe garante o título de realista. Nelson não hesitou em denunciar a sordidez da sociedade tal como o fez Eça de Queirós em suas obras. Esse erotismo realista de Nelson teve sua gênese em obras do século XIX, como "O Primo Basílio", e se desenvolveu grandemente na obra do autor pernambucano. Em síntese, Nelson foi um grande escritor, dramaturgo e cronista, e está imortalizado na literatura brasileira.
Acervo
O Cedoc – Centro de Documentação da Funarte possui amplo acervo sobre o dramaturgo, como fotos de peças, programas das produções teatrais, resenhas e comentários sobre espetáculos teatrais, entre eles Vestido de Noiva, encenado pela primeira vez para um Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Boa parte dos registros fotográficos de peças do dramaturgo existentes no Cedoc foram feitos pelo Estúdio Foto Carlos, que, nas décadas de 40, 50, 60, 70 e 80 e foram digitalizadas graças ao projeto Brasil Memória das Artes, incluindo registros de raridades, como uma participação de Nelson Rodrigues como ator. No Portal da Funarte ainda é possível ver vídeos produzidos sobre o dramaturgo e sua obra.
Fonte: wikipedia.
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Outra de Rubem
Crônica
A OUTRA NOITE
Rubem Braga
Outro dia fui a São Paulo e resolvi voltar à noite, uma noite de vento sul e chuva, tanto lá como aqui. Quando vinha para casa de táxi, encontrei um amigo e o trouxe até Copacabana; e contei a ele que lá em cima, além das nuvens, estava um luar lindo, de lua cheia; e que as nuvens feias que cobriam a cidade eram, vistas de cima, enluaradas, colchões de sonho, alvas, uma paisagem irreal.
Depois que o meu amigo desceu do carro, o chofer aproveitou o sinal fechado para voltar-se para mim:
-O senhor vai desculpar, eu estava aqui a ouvir sua conversa. Mas, tem mesmo luar lá em cima?
Confirmei: sim, acima da nossa noite preta e enlamaçada e torpe havia uma outra - pura, perfeita e linda.
-Mas, que coisa...
Ele chegou a pôr a cabeça fora do carro para olhar o céu fechado de chuva. Depois continuou guiando mais lentamente. Não se sonhava em ser aviador ou pensava em outra coisa.
-Ora, sim senhor...
E, quando saltei e paguei a corrida, ele me disse um "boa noite" e um "muito obrigado ao senhor" tão sinceros, tão veementes, como se eu lhe tivesse feito um presente de rei.
Essa crônica é um belo exemplo de como emocionar com poucas palavras.
A OUTRA NOITE
Rubem Braga
Outro dia fui a São Paulo e resolvi voltar à noite, uma noite de vento sul e chuva, tanto lá como aqui. Quando vinha para casa de táxi, encontrei um amigo e o trouxe até Copacabana; e contei a ele que lá em cima, além das nuvens, estava um luar lindo, de lua cheia; e que as nuvens feias que cobriam a cidade eram, vistas de cima, enluaradas, colchões de sonho, alvas, uma paisagem irreal.
Depois que o meu amigo desceu do carro, o chofer aproveitou o sinal fechado para voltar-se para mim:
-O senhor vai desculpar, eu estava aqui a ouvir sua conversa. Mas, tem mesmo luar lá em cima?
Confirmei: sim, acima da nossa noite preta e enlamaçada e torpe havia uma outra - pura, perfeita e linda.
-Mas, que coisa...
Ele chegou a pôr a cabeça fora do carro para olhar o céu fechado de chuva. Depois continuou guiando mais lentamente. Não se sonhava em ser aviador ou pensava em outra coisa.
-Ora, sim senhor...
E, quando saltei e paguei a corrida, ele me disse um "boa noite" e um "muito obrigado ao senhor" tão sinceros, tão veementes, como se eu lhe tivesse feito um presente de rei.
Essa crônica é um belo exemplo de como emocionar com poucas palavras.
O Ódio no Brasil -- Leandro Karnal ( inscreva-se no canal )
Fascinante reflexão sobre o Brasil e brasileiro.
Globalização Milton Santos - O mundo global visto do lado de cá.
Ouvindo Milton Santos, podemos entender melhor a situação em que vivemos.
Boa aula!
A História Secreta da Obsolescência Planeada [Legendado PT]
Informações sobre a sociedade de consumo e como ela se organiza.
A SERVIDÃO MODERNA (2009) - video completo (Leg. Pt).avi
Você pode concordar ou não com as ideias expostas no vídeo,no tentanto não podemos ignorá-lo.Afinal,qual o papel do ser humano em nosso planeta?
Story of Stuff - Completo e legendado em português
O vídeo promove uma reflexão sobre os valores do consumismo e os efeitos sobre a qualidade de vida no planeta.
Bom debate!
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