segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Técnicas para iniciar uma dissertação

Caríssimos, um dos motivos que torna a redação uma pedra no sapato de muitos é a elaboração do primeiro parágrafo, ou seja, da introdução. Feito o parágrafochave, as idéias fluem com mais facilidade, já que definimos o ponto de vista que iremos defender. O professor Antonio Carlos Viana, coordenador do grupo que escreveu Roteiro de Redação, dá-nos algumas sugestões para iniciarmos nossos textos . Confiram. O PARÁGRAFO - CHAVE: 18 FORMAS PARA VOCÊ COMEÇAR UM TEXTO Ao escrever seu primeiro parágrafo, você pode fazê-lo de forma criativa. Ele deve atrair a atenção do leitor. Por isso, evite os lugares-comuns como: atualmente, hoje em dia, desde épocas remotas, o mundo de hoje, a cada dia que passa, no mundo em que vivemos, na atualidade. Listamos aqui dezoito formas de começar um texto. Elas vão das mais simples as mais complexas. 1. Uma declaração (tema: liberação da maconha) É um grave erro a liberação da maconha. Provocará de imediato violenta elevação do consumo. O Estado perderá o precário controle que ainda exerce sobre as drogas psicotrópicas e nossas instituições de recuperação de viciados não terão estrutura suficiente para atender à demanda. A declaração é a forma mais comum de começar um texto. Procure fazer uma declaração forte, capaz de surpreender o leitor. 2. Divisão (tema: exclusão social) Predominam ainda no Brasil duas convicções errôneas sobre o problema da exclusão social: a de que ela deve ser enfrentada apenas pelo poder público e a de que sua superação envolve muitos recursos e esforços extraordinários. Experiências relatadas nesta Folha mostram que o combate à marginalidade social em Nova York vem contando com intensivos esforços do poder público e ampla participação da iniciativa privada. Ao dizer que há duas convicções errôneas, fica logo clara a direção que o parágrafo vai tomar. O autor terá de explicitá-lo na frase seguinte. 3.Definição (tema: o mito) O mito, entre os povos primitivos, é uma forma de se situar no mundo, isto é, de encontrar o seu lugar entre os demais seres da natureza. É um modo ingênuo, fantasioso, anterior a toda reflexão e não-crítico de estabelecer algumas verdades que não só explicam parte dos fenômenos naturais ou mesmo a construção cultural, mas que dão, também, as formas da ação humana. A definição é uma forma simples e muito usada em parágrafos-chave, sobretudo em textos dissertativos. Pode ocupar só a primeira frase ou todo o primeiro parágrafo. 4. Uma pergunta (tema: a saúde no Brasil) Será que é com novos impostos que a saúde melhorará no Brasil? Os contribuintes já estão cansados de tirar dinheiro do bolso para tapar um buraco que parece não ter fim. A cada ano, somos lesados por novos impostos para alimentar um sistema que só parece piorar. A pergunta não é respondida de imediato. Ela serve para despertar a atenção do leitor para o tema e será respondida ao longo da argumentação 5. Comparação (tema: reforma agrária) O tema da reforma agrária está presente há bastante tempo nas discussões sobre os problemas mais graves que afetam o Brasil. Numa comparação entre o movimento pela abolição da escravidão no Brasil, no final do século passado e, atualmente, o movimento pela reforma agrária, podemos perceber algumas semelhanças. Como na época da abolição da escravidão existiam elementos favoráveis e contrários a ela, também hoje há os que são a favor e os que são contra a implantação da reforma agrária. Para introduzir o tema da reforma agrária, o autor comparou a sociedade de hoje com a do final do século XIX, mostrando a semelhança de comportamento entre elas. 6. Oposição (tema: a educação no Brasil) De um lado, professores mal pagos, desestimulados, esquecidos pelo governo. De outro, gastos excessivos com computadores, antenas parabólicas, aparelhos de videocassete. É este o paradoxo que vive hoje a educação no Brasil. As duas primeiras frases criam uma oposição (de um lado / de outro) que estabelecerá o rumo da argumentação. Também se pode criar uma oposição dentro da frase, como neste exemplo: Vários motivos me levaram a este livro. Dois se destacam pelo grau de envolvimento: raiva e esperança. Explico-me: raiva por ver o quanto a cultura ainda é vista como artigo supérfluo em nossa terra; esperança por observar quantos movimentos culturais têm acontecido em nossa história, e quase sempre como forma de resistência e/ou transformações.(...) O autor estabelece a oposição e logo depois explica os termos que a compõem. 7. Alusão histórica (tema: globalização) Após a queda do muro de Berlim, acabaram-se os antagonismos lesteoeste e o mundo parece ter aberto de vez as portas para a globalização. As fronteiras foram derrubadas e a economia entrou em rota acelerada de competição. O conhecimento dos principais fatos históricos ajuda a iniciar um texto. O leitor é situado no tempo e pode ter uma melhor dimensão do problema. 8. Uma frase nominal seguida de explicação (tema: a educação no Brasil) Uma tragédia. Essa é a conclusão da própria Secretaria de Avaliação e Informação Educacional do Ministério da Educação e Cultura sobre o desempenho dos alunos do 3º ano do 2º grau submetidos ao Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), que ainda avaliou estudantes da 4ª série e da 8ª série do 1º grau em todas as regiões do território nacional. A palavra tragédia é explicada logo depois, retomada por essa é a conclusão.

Sobre a dissertação

INTRODUÇÃO É o início do texto, contendo o tema a ser desenvolvido, exposto com muita clareza. Envolve o problema a ser analisado. Geralmente pode ser exposto em apenas um parágrafo. Uma introdução não deve ser muito longa para não desmotivar ou ficar cansativa para o leitor. Se a redação tiver trinta linhas, aconselha-se a que o escritor use de quatro a seis para a parte introdutória. DEVE-SE EVITAR EM UMA INTRODUÇÃO - Iniciar uma idéia geral que não transpassa por todo o texto (o uso de idéias totalmente diferentes); - Usar chavões; - Iniciar a introdução com as mesmas palavras do título; - Frequente fazer desvios do assunto principal; - Escrever período longo; - Escrever de forma pessoal, ou seja, usar a 1ª pessoa. DESENVOLVIMENTO É o corpo do texto, onde se organiza o pensamento. Compõem os argumentos que no caso é o posicionamento adotado. Os argumentos podem se classificar em: argumento de autoridade, argumento por ilustração, argumento do pensamento lógico, argumentação de prova concreta e argumentação de competência linguística. Argumento por autoridade é a citação de frase ou pensamento de autor do tema em questão. Pode ser uma “faca de dois gumes”, de forma positiva fazendo uma intertextualidade ou negativa se for inadequado ao tema proposto. Argumento por ilustração é o uso de exemplos relativos à realidade. Argumento do pensamento lógico é uma idéia que parte do geral para o particular ou ao contrário do particular para o geral. Argumento de prova concreta é uma prova concreta seja de lei, dados estatísticos, fatos do conhecimento geral, como o reforço da idéia defendida. Argumento da competência linguística é o uso da incorreção gramatical que gera problemas na coerência do texto. Em uma redação de trinta linhas, a redação deverá destinar de catorze (14) a dezoito (18) linhas para o corpo ou desenvolvimento da mesma. DEVE-SE EVITAR EM UM DESENVOLVIMENTO - Repetições; - Escrever pormenorizando; - Exemplos extremamente excessivos; - Usar de exemplos fracos e fora do contexto. CONCLUSÃO É a síntese do problema tratado no decorrer do texto, fechamento da redação. Se a redação está planejada para trinta linhas, a parte da conclusão deve ter quatro a seis linhas. Na conclusão, as idéias tratadas no texto propõem uma solução. O ponto de vista do escritor, apesar de ter aparecido nas outras partes, adquire maior destaque na conclusão. DEVE-SE EVITAR EM UMA CONCLUSÃO - O principal defeito não conseguir finalizar; - Evitar as expressões “em resumo”, “concluindo”, “terminando”.

Eemplo de dissertação histórica

NUM PISCAR DE OLHOS É indiscutível o espantoso avanço conseguido pelos meios de comunicação ao longo dos tempos. O desenvolvimento tecnológico deste século garantiu a eficiência e a rapidez na comunicação quer entre indivíduos quer através dos meios eletrônicos, que fazem a informação chegar aos povos de qualquer parte do planeta em questão de segundos. Em tempos passados, as pessoas dispunham basicamente do correio e do telégrafo. Todos sabem que ainda no século XX passavam-se meses antes que alguém soubesse da morte de um parente ou amigo que estivesse na Europa. Isso ocorria porque a comunicação dependia basicamente dos meios de transporte. Quanto ao telégrafo, embora mais rápido, ele restringia em muito a quantidade de dados transmitidos. Foi somente na atualidade que a comunicação foi grandemente impulsionada pelo avanço tecnológico. Surgiu o telefone e mais recentemente o fax. O rádio e a televisão foram inventos que, além de possibilitarem a veiculação de notícias para uma grande massa, ainda permitiram uma melhor integração entre populações de diferentes estados ou países. Com a utilização de satélites nas transmissões, o mundo interligou-se. O futuro parece trazer a popularização da TV a cabo e da internet. Dessa forma, entende-se que mudou e muito a comunicação e, com ela, o próprio homem. Agora, cada indivíduo é um habitante do seu planeta e não mais de sua cidade ou país. Mais do que nunca, cada um assiste, a todo instante, ao desenrolar dos fatos que compõe a História. (Branca Granatic, Técnicas Básicas de Redação)

ESQUEMA DISSERTATIVO: A RETROSPECTIVA HISTÓRICA

Nesta aula, será desenvolvida uma dissertação por meio de retrospectiva histórica. Certos assuntos permitem esse tipo de análise, que pode ser realizada por meio do seguinte esquema: INTRODUÇÃO 1º parágrafo: apresentação do tema e da tese. DESENVOLVIMENTO 2º parágrafo: retrospectiva histórica (época mais distante). 3º parágrafo: retrospectiva histórica (época mais próxima e época atual). CONCLUSÃO 4º parágrafo; expressão inicial (portanto, em resumo, dessa forma etc.) + retomada do tema e da tese (agora sob uma perspectiva histórica). Obs: se você estiver escrevendo uma redação sobre um tema cuja retrospectiva histórica envolva três épocas diferentes, convém escrever um parágrafo para cada época.

Exemplo de dissertação

"ÁGUA, CULTURA E CIVILIZAÇÃO" No mundo moderno, incrivelmente globalizado, ocorre uma tendência a valorização do lucro em detrimento a fatores de grande importância para a sobrevivência humana. Pois, a falta de água potável no futuro trará consequências hediondas. Mas, há uma cultura que pode ser formada através da educação ambiental nas escolas para as nossas crianças e, além do mais, descaso de nossos governantes aponta para uma civilização em crise e em processo de autodestruição. Embora, o homem não tenha dado o valor devido à importância da água para sua subsistência. Estudiosos prevêem que daqui a 50 faltará água potável. Que ironia para o ser humano que vive em um planeta composto por 2/3 de água. Lembrando que 2% da água da terra é doce e o mais criminoso é que 5% dos 2% está poluída. Além da destruição de seu "habitat" natural, o aumento demográfico é absurdo, poluindo o que ainda resta, sem nenhuma ação governamental para conter esta realidade terrível e inevitável. Ainda com a falta de políticas públicas, contribuindo para esse descaso. Sem um processo de Educação Ambiental nada pode ser feito contra essa escassez. Preparar a cultura dos herdeiros da terra para essa mudança de postura, já entranhada dentro de nossos governantes que por não terem interesses políticos nada fazem, é essencial. Mesmo, diante dessas grandes civilizações que dominam o planeta, algumas que surgiram, ou tem como modelo, se organizarem perto dos grandes rios como vemos o Tigre, Eufrates, Amarelo, Nilo, Mississipi, Rio Grande, Amazonas e outros. Não foi mera coincidência, antes sim suas necessidades de vitalidade e de preservação de suas espécies. A água é vital para todos os seres vivos, é usada em rituais desde a antiguidade. Logo pode existir a humanidade sem seu líquido precioso que é a água. Assim, esse bem tão precioso, que para alguns pensadores da Grécia Antiga foi o princípio de tudo, só terá relevância, com preocupação no âmbito mundial, quando a catástrofe estiver pronta. Todos os dias os avisos são dados, com a natureza se rebelando, pó enquanto são os outros seres que estão entrando em extinção. Quando chegar a vez do bicho homem, só assim, ele irá se preocupar, mas já será tarde demais.

Estrutura dissertativa

A Estrutura do texto Dissertativo São três as partes básicas de uma redação: Introdução, Desenvolvimento e Conclusão. Isso necessariamente não quer dizer que uma dissertação tenha que ter três parágrafos. O mínimo de parágrafos lógicos seriam quatro e no máximo cinco, por se tratar de um texto para leitura rápida e concisa. Na Introdução de texto dissertativo encontramos a delimitação de um tema, através de frases chamadas de argumentos, ou ideias secundárias, de uma ideia central que conhecemos como assunto, o assunto do tema que amarrará os parágrafos do desenvolvimento - sugestão ou duas, ou no máximo três; No Desenvolvimento do texto dissertativo trabalharemos as frases ideias, ou argumentos observando a estrutura padrão de um parágrafo de desenvolvimento que apresentarei mais adiante, apresentando sua causa e consequência e exemplos sempre no fim parágrafo para mostrar harmonia; A Conclusão no texto dissertativo também uma estrutura padrão, chega de inventar, até para finalizar um texto devemos seguir regras. Seguindo-as o resultado final da redação será primoroso. (Algomaissobrevestibular.com.br)

Dissertação

É uma modalidade de composição que visa análisar, ou comentar expositivamente conceitos ou ideias sobre um determinado assunto. Pode apresentar-se de forma expositiva ou argumentativa. Possui uma natureza reflexiva que consiste na ordenação dessas ideias a respeito de um determinado assunto contido em um uma frase-tema, um conjunto de textos verbais, não-verbais, ou até mesmo uma mescla de textos. Dissertar é debater. Para discutirmos questões dos variados assuntos que a sociedade nos apresenta precisamos da Dissertação. Aquele que desenvolve uma dissertação é comumente denominado de Enunciador de ideias. Como enunciadores somos nós que desenvolvemos o texto dissertativo sem usar primeira pessoa, expressando o nosso ponto de vista para desenvolvê-lo com concisão e clareza. Essas ideias fundamentam nossa posição. É por isso que toda dissertação deve ser desenvolvida em terceira pessoa. Estabelecer nos parágrafos do desenvolvimento as relações de causa e consequência, contribui para um texto correto e conciso. Frases curtas, linguagem direta apresenta um texto com estrutura organizada e lógicidade de ideias. ( Algomaissobrevestibular.com.br)

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Sobre as greves...

Salas vazias, matrículas do segundo semestre suspensas, indefinição sobre quando as aulas vão voltar e, principalmente, quando o ano letivo vai terminar. A greve dos professores das universidades federais completou três meses na sexta-feira (17). Na maioria das unidades, as matrículas do segundo semestre ainda não foram feitas, e a previsão do Ministério da Educação é que o ano letivo siga até fevereiro de 2013 em várias instituições. As universidades garantem, no entanto, que os processos seletivos para a entrada de novos alunos no ano que vem não vão sofrer alterações. A maioria usa o Sistema Nacional de Seleção Unificada (Sisu), como processo seletivo, com base nas notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que será no início de novembro. Outras fazem um processo misto, com algumas vagas do Sisu e outras pelo vestibular próprio da instituição. Em algumas universidades federais, os professores votaram pelo fim da paralisação, mas na grande maioria das 59 universidades federais a greve continua. Até a noite de sexta-feira (17), cinco universidades haviam encerrado a greve: as federais do Rio Grande do Sul (UFRGS); de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e da Universidade de Brasília (UnB), de São Carlos (Ufscar) e de Santa Catarina (UFSC). Na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), professores do campus de Guarulhos, na Grande São Paulo, votaram na quinta-feira (16) pelo fim da greve, que continua nos demais campi. Além disso, 12 campi do Instituto Federal do Paraná (IFPR) e três do Instituto Federal do Acre (IFAC) também decretaram o fim da paralisação, segundo nota divulgada pelo Ministério da Educação. O MEC afirmou ainda que "tem acompanhado junto às instituições os planos de reposição das aulas perdidas durante a greve e pretende supervisionar diretamente a aplicação do calendário letivo". Enquanto a greve não termina -- pelo menos em 52 das 57 instituições participantes do movimento nacional ela segue sem previsão de fim --, as matrículas do segundo semestre estão suspensas tanto para alunos antigos quanto para calouros, já que as aulas do primeiro semestre ainda não foram concluídas na grande maioria dos cursos. Em alguns casos, os professores que finalizaram o semestre não lançaram as notas nos sistemas das instituições, já que os servidores técnicos e administrativos também estão parados. Veja abaixo a situação nas universidades federais:

Sobre A voz do Brasil

O jornalista e professor da Universidade de São Paulo e da Escola Superior de Propaganda e Marketing afirma, em coluna publicada no jornal O Estado de S.Paulo, que o programa A Voz do Brasil está desafiando a paciência da população, já que é transmitido de forma obrigatória e fica cada vez mais chato para o cidadão comum. De acordo com ele, o programa governamental piora a cada ano e, atualmente, “é um sinônimo de desinteresse”. Setenta anos atrás, existia uma função, garantir que a voz do governo de Getúlio Vargas fosse ouvida em todo o território nacional, e ela foi cumprida mas, quando seu tempo já passara, outro governo ditatorial, comandado pelos militares, garantiu sua sobrevida, algo que não mudou, mesmo mais de 20 anos após a volta da democracia. E aí, o que você acha? Produza um texto opinativo sobre o tema.

A política brasileira vai ao entretenimento

No início, ainda no século 18, a imprensa criticava o poder. Aprendeu a influenciar e derrubar governos. Ao final do século 19 os magnatas da imprensa criaram pontes que os levaram pessoalmente ao poder. O americano William Randolph Hearst (1863-1951) foi um dos precursores. Dono de grandes diários espalhados pelos Estados Unidos, elegeu-se deputado. Na primeira década do século 20 tentou a prefeitura de Nova York e, depois, o governo do Estado de Nova York. Perdeu as duas disputas, mas abriu o caminho. Depois dele vieram outros, como o bilionário Michael Bloomberg, dono do canal de TV com o mesmo nome, que é o atual prefeito de Nova York. Ao longo do século 20, como sabemos, os jornais cresceram e deixaram de ser apenas jornais. Misturaram-se ao rádio, ao cinema, à televisão, aos espetáculos em geral, e tudo isso se converteu na portentosa indústria do entretenimento, dentro da qual a imprensa é um reles departamento. Hoje essa indústria entra e sai dos gabinetes do Estado na hora que bem entende, do jeito que bem quer, a tal ponto que as fronteiras entre os dois mundos às vezes se esfumaçam. Veja-se a epopeia bufa de Silvio Berlusconi, o imperador da televisão comercial italiana, que governou o seu país como se os shows de TV e as salas de despacho fossem um palco só. A imbricação entre política e entretenimento foi tão longe que até mesmo atores medíocres conseguiram ser levados a sério pelas urnas. Ronald Reagan foi um paradigma histórico na presidência dos Estados Unidos, enquanto Arnold Schwarzenegger se realizou no papel de governador da Califórnia. Palhaços pouco letrados viraram campeões de voto, como Tiririca. Foi nesse embalo globalizado que a nossa República, também ela, que um dia teria sido a "República dos Bacharéis", se foi tornando calmamente a "República dos Comunicadores". O político dos nossos dias aprendeu a ser star. O texto que ele recita é secundário, o conteúdo não pesa tanto: o texto, na política, está subordinado ao regime do estrelato. Resumindo: se antes os donos dos jornais queriam uma ponte que os levasse aos palácios do poder, hoje os políticos é que querem atrair os holofotes do entretenimento, querem ser amados como animadores de auditório. Fazer política, na nossa era, é fazer parte da festa ininterrupta da famigerada "grande mídia". Não que a coisa toda tenha piorado. Até que melhorou. Aquela "República dos Bacharéis", convenhamos, era tudo menos republicana. Hoje, pelo menos, podemos falar numa democracia menos elitista, menos encastelada, uma democracia um pouco mais "de massa", ainda que popularesca. Mas há problemas, e como. Na longa remodelação da linguagem política, a ideologia deu lugar à eficiência publicitária e o ideólogo foi aposentado pelo "marqueteiro". Agora, a comunicação política não copia apenas os trejeitos típicos do entretenimento, ela copia também o seu vocabulário, deixa-se pautar pela indústria da diversão e olha para ela, a diversão industrializada, como quem olha para o próprio mundo real. Três episódios recentes ilustram esse quadro. O primeiro aconteceu em dezembro, quando a atriz Lília Cabral recebeu da revista IstoÉ o prêmio de Personalidade do Ano de Televisão. A presidente Dilma Rousseff, que também foi premiada na mesma noite, quis entregar pessoalmente o troféu à atriz. "É uma emoção muito grande receber o prêmio das mãos da presidente que é quem conhece melhor do que ninguém as Griseldas desse país", comoveu-se a atriz. Em tempo: Griselda é a personagem que Lília Cabral interpreta na novela das 9 da Globo, Fina Estampa, escrita por Aguinaldo Silva. É a heroína da classe C por excelência, ou, melhor, a heroína de uma classe C idealizada: tem um forte senso moral, põe a família acima de tudo, batalha para crescer na vida e, evidentemente, ganha na loteria. Mais que a pessoa física da atriz, quem ganhou o prêmio foi a protagonista da novela. Foi também à personagem - e ao que ela simboliza - que Dilma Rousseff rendeu homenagens. Mais uma vez, a política reverenciou a ficção em troca de popularidade. O segundo episódio veio da mesma novela Fina Estampa. Na trama, o ator Marcelo Serrado representa um mordomo afeminado, que por vezes se exalta, num tom soprano aspirado, com tiques e contratiques caricatos. O nome dele é Crô. Lá pelas tantas, o ator, não o personagem, resolveu dar qualquer declaração a respeito de beijo gay na televisão. Parece que ele falou contra o beijo gay, algo assim. Pois foi o que bastou para que o assunto explodisse na internet e mesmo nos artigos de opinião em grandes jornais, em debates acalorados. A ficção, de novo, liderou a agenda do espaço público. O terceiro evento foi a entrada em cena da ministra Iriny Lopes (Políticas para as Mulheres). Na semana passada ela enviou um ofício ao Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro pedindo providências diante de uma suspeita de abuso sexual dentro do programa BBB, também da Globo. Pela primeira vez o poder público participou ativamente do maior reality show em exibição no Brasil. O circo pautou o ministério. Há quem diga que é por oportunismo que os políticos reagem solícitos aos estímulos do espetáculo. Não é. Mais que oportunismo, cristalizou-se um deslocamento nos fundamentos mesmos do discurso político. A política não tem outra saída. Hoje, no que chamamos de Ocidente, os domínios da emoção popular não pertencem mais à religião, assim como já não pertencem ao fulgor das mobilizações de massa: elas foram monopolizadas pelas formas de representação típicas da indústria do entretenimento. A política, que precisa tocar a emoção do povo, teve, então, de virar entretenimento. Os sintomas aí estão. Todos eles. Os efeitos mais perversos é que ainda estão por vir. (Eugênio Bucci)

quinta-feira, 26 de julho de 2012

A Liga 31/05/2011 - Funk - Completo

Vamos pensar sobre a questão do funk.Veja e dialogue.

A Liga - Crack - 27/03/12 - Completo (HD)

Vamos pensar sobre o problema?

Mago Saramago - Caverna de Platão e as imagens

Vamos refletir sobre as nossas cegueiras.

Brincadeiras bélicas?

Esta é uma pergunta que todos os pais se fazem, apavorados, no primeiro dia em que veem seu filho com uma arma de brinquedo na mão. Apresentamos aqui algumas repostas que os ajudarão a refletir sobre esta questão. Meu filho, meu pai, meu avô Sem dúvida, hoje em dia as crianças têm contato diário com imagens de violência. Basta ligar a TV ou entrar no mundo dos videogames para comprová-lo. Entretanto, as brincadeiras bélicas não são uma exclusividade dos dias atuais. Nosso pais e avôs também brincavam de guerrear. É possível que os personagens e os objetos fossem diferentes, mas estes jogos cumpriam a mesma função: imitar comportamentos agressivos de outros para expressar a própria agressividade. Função da brincadeira Convém recordar que a brincadeira exerce uma função simbólica, ou seja, permite à criança "fazer de conta" dentro de seu mundo de fantasia. Desta forma, ela experimenta comportamentos ou realidades de outras pessoas e outros mundos, reais ou imaginários. Por exemplo, o menino pode fingir ser um guerreiro medieval ou um super-herói que luta contra o mal e, depois de algum tempo, ser um ladrão que foge da polícia em um videogame. Por outro lado, a brincadeira tem o poder de fazer desaparecer, mesmo que por um instante, tudo o que perturba ou contrarie seus planos. Daí a atração que exercem os jogos de luta. No entanto, isso não significa que esta experiência formará sua vida futura. Ela terá a mesma duração da brincadeira. Vale a pena proibir? A primeira coisa a levar em conta, ao se fazer esta pergunta, é que a agressividade é própria da natureza humana. Consequentemente, ela não desaparecerá porque sua forma de expressão foi limitada. É muito comum observar crianças que não possuem brinquedos bélicos brincando com um galho de árvore como se fosse uma arma, ou inventando batalhas próprias de dos videogames. É importante considerar que as brincadeiras bélicas ajudam a criança a canalizar impulsos agressivos, evitando que se manifestem por meio de brigas com seus irmãos e colegas. Elas também contribuem para tornar mais suportável o temor diante de situações violentas do cotidiano, como roubos e sequestros, na medida em que a criança as dramatiza. Conselhos úteis O melhor é educar com o exemplo. De nada serve proibir as brincadeiras bélicas se em casa existem atitudes de falta de respeito e agressividade. É preciso ensinar a criança a resolver suas diferenças de forma pacífica, por meio do diálogo. É importante explicar a ela quais são os limites da brincadeira e que ela não deve se ferir, nem ferir os outros. Enfatize, sempre que possível, que se trata de uma brincadeira. A partir dos três anos, as crianças já sabem distinguir entre fantasia e realidade. Acima de tudo, encoraje os valores da amizade e da cooperação. Assim a criança poderá deixar em segundo plano a tendência natural à competição e à rivalidade. Na verdade, o que é preciso combater é a agressividade, não as armas que a expressam. Perguntas aos pais Se seu filho passa o dia todo brincando de guerra, é preciso refletir sobre esta atitude. - Ele não sabe como expressar seus sentimentos? - Pode estar reprimindo suas agressividade natural para agradar aos demais? - Ele dispõe de espaço e tempo suficientes para canalizar suas energias, fazendo esportes ou frequentando um parquinho? - Ele costuma presenciar discussões dentro de casa ou em outros lugares que visita? - Passa tempo demais assistindo à TV? Lembre-se, o mais importante é dialogar. À medida que fizer isso, você conhecerá melhor seu filho e saberá se ele pode estabelecer corretamente o limite entre fantasia e realidade. Por sua vez, ele se sentirá amado e ouvido, e recorrerá a você para resolver qualquer situação de conflito que o perturbe.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Novo Enem: Dicas para uma boa redação

Procure praticar a partir das dicas.

Profissão Reporter 22/11/11 Gravidez indesejada - Menina de 11 Anos

A Diferença entre o Bárbaro e o Civilizado

Refletindo sobre o que é barbárie...

Faxina ou fachada?

Dilma, apelidada de “a diarista” pela faxina ética no governo, não percebeu o lixo no Turismo porque não quis. Na Agricultura e nos Transportes, a presidente pegou firme na vassoura. Mesmo quem não votou nela apoiou. Enfim, alguém começava a espanar os sujismundos em Brasília. Mas, no Turismo apadrinhado por Sarney, a diarista foi surpreendida pela limpeza promovida por 200 homens da Polícia Federal. Só o PMDB apostava um centavo na lisura de um ministério comandado por Pedro Novais, conterrâneo do presidente vitalício do Senado, José Sarney. Para refrescar a memória, Novais, antes de assumir o Turismo, foi reembolsado pela Câmara por uma festa com 15 casais no Motel Caribe, de São Luís. Octogenário como seu mestre, casado, Novais culpou os assessores pelo “erro”. Assumiu um ministério que planejava investir R$ 257 milhões e treinar 230 mil pessoas para receber turistas na Copa do Mundo em 2014. Isso não significa que o maranhense esteja implicado no novo escândalo – embora tenha pensado em pedir demissão. Os convênios fraudulentos para treinar agentes de turismo no Amapá e no Paraná foram assinados em 2009, quando o PT e a turma da senadora Marta Suplicy estavam no comando. Pense bem: turismo milionário no Amapá? O Estado que em 2006 elegeu Sarney senador recebeu, no ano passado, 459 turistas estrangeiros. A maior atração é a pororoca. Agora, a pororoca foi transferida para Brasília. Denúncias em cascata dão um ar de novela. “Insensata Corrupção” é acompanhada diariamente pelo povo. Gravações mostram empresários se tratando de “bicho” e “animal”, no capítulo dedicado ao Amapá. O ministro dos Transportes demitido por Dilma diz: “Eu não sou lixo”. Esperamos que não seja reciclável. O roteiro da novela é confuso porque surgem mais figurantes, siglas e partidos políticos.O dinheiro desviado costuma ser estratosférico, uma grana que 99% dos brasileiros jamais verão na vida. Computadores são confiscados, sigilos são quebrados, mas os maiores amigos do poder são poupados. As maldades dos vilões chocam até a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB): “As acusações geram perplexidade, insegurança e indignação”. Os bispos alertam: “Sacrificar os bens devidos a todos é um crime que clama aos céus por lesar sobretudo os pobres”. Nem ateus discordariam. Dilma ficou chocada não com a corrupção no Turismo – mas com as algemas usadas pela PF Dilma e seu vice-presidente, Michel Temer, também estão “chocados”. Mas não com as ONGs de fachada, as notas fiscais falsas e a conivência de servidores num ministério que deveria servir de exemplo em véspera de Olimpíada e Copa. Estão indignados com as algemas usadas pelos policiais federais.“Pegou mal”, disse Temer.“Um acinte”, disse Dilma. “Uma operação atabalhoada”, afirmou o Planalto. O presidente da Federação dos Policiais Federais,Marcos Wink, defendeu algemas para todos: “Devem ser usadas no secretário do ministério, assim como no Joãozinho da Silva lá na favela”. No centro da pororoca, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, fazia cara de paisagem. Garantiu desconhecer a operação que prendeu 36 pessoas no Turismo por desvio de verba. Nossa presidente não gostou. Pretende manter o controle de sua faxina seletiva e não deixar degringolar os próximos capítulos. A roteirista é ela. Cara Dilma, começou, tem de ir até o fim. Não dá para limpar só os quartos e a cozinha. Procure os cantos das salas de estar e jantar. Retire dos armários os cabides de empregos, onde estão pendurados afilhados políticos e parentes de caciques do PMDB e do PT. Filhos, ex-mulheres, sobrinhos. Contratados sem concurso. Assuste os fantasmas, porque a opinião pública vai apoiar. Mesmo que a senhora não concorde que Ideli é “fraquinha”, desautorize- a a falar bobagens. É risível ouvir de sua comadre que a operação da PF foi “armação da imprensa”. Não se deixe intimidar pela tal “base” rebelada.A democracia não será aperfeiçoada se seu governo liberar R$ 1 bilhão em emendas para esse bando concordar em votar o que interessa à nação. Há algo mais ridículo do que congressistas de braços cruzados, ameaçando uma “greve branca” contra a faxina? Com amigos assim, uma diarista não precisa de inimigos. ( Ruth Aquino) Boa reflexão sobre o episódio envolvendo Demóstenes Torres.

Truques para escrever mal

As pessoas andam em busca de soluções fáceis. Querem receitas e listas para tudo, de pratos rápidos a teses de pós-doutorado, passando por instruções para conserto de carros e se comportar corretamente nas empresas. Querem a lista facilitada de posições do Kama Sutra; os fundamentos rápidos da metafísica e do futebol; as senhas para todos os sistemas possíveis; os atalhos para ganhar o primeiro bilhão. Eu poderia mandar todos para aquele lugar que se chama Google search. Lá, todo mundo sabe, você pode achar que encontra tudo e mais um pouco. Mas talvez ainda eu tenha algo a dizer a respeito de como escrever mal, que é o melhor caminho para fazer amigos, influenciar otários e galgar postos. De que serve a correção de estilo, se os tolos se impressionam com alguns macetes que vou revelar? Com eles – os tolos e os macetes – você poderá triunfar nas festas literárias, vencer concursos e se dar bem nas feiras de networking de autores. Vamos direto ao essencial: o que vale não é escrever bem, mas fingir escrever bem. É quase tudo assim na vida, pois mais vale cacarejar que botar o ovo. Ao longo da história da cultura, a muleta se revelou mais útil que o pensamento claro. Por isso, vou citar de cara o escritor inglês George Orwell. Na sua crônica “A política e a língua inglesa”, publicado no Payment Book em 11 de outubro de 1945, e no Horizon, em abril de 1946 – agora republicado no volume Como morrem os pobre e outros ensaios, organizado por João Moreira Salles e Matinas Suzuki Jr., edição da Companhia das letras - Orwell fez uma lista de “vários dos truques por meio dos quais o trabalho de construção da prosa é habitualmente evitado”. Isso para depois dar seus seis conselhos para o bem escrever. Como se trata de um texto antigo, o tempo fez reverter quase tudo o que ele aconselhou. O que vale agora é quase exatamente o inverso dos seis pontos de Orwell. Por isso, devo usar suas dicas como maus exemplos. Pois elas servem, no máximo, para escrever para revistas, não para vencer na literatura – que é o que queremos, certo? Então, vamos lá. Anote aí – ou melhor, recorte e cole aí meus oito truques para escrever livros, dar palestras e conversar com o pessoal nas festas literárias. Procure segui-los na ordem. 1. Cause efeito. Ou simplesmente cause. Diga algo bem polêmico que tire o ar do leitor ou da audiência. Tire do nada, sem propósito. Um bom recurso é usar o método da autoficção, transformando-se você mesmo um herói do romance da vida. Misture uma atividade intelectual a outra pedestre. Diga que você medita sobre o ser-aí de Heidegger enquanto corre ou joga bola. Isso vai encantar. Ou então faça controvérsia. Discuta qualquer tema, mas por um ângulo inesperado. Faça de você mesmo um mito. Use de seu charme pessoal para fazer o marketing literário ideal. 2. Hipnotize seu interlocutor. Esta parte é importante. Conquiste a presa elogiando-a, chamando-a para si. Num romance, pegue o leitor pela mão e o carregue para uma história cheia de detalhes apimentados. Pisque para ele, com uma gracinha ou ironia quaisquer. Numa palestra, leia um trecho de seu texto com voz grave e tom oracular, como se estivesse lendo seu testamento estético. Faça o ouvinte sentir o enlevo de uma oração longa e sentimental. 3. Seja irrelevante. Diga abobrinhas à vontade, porque assuntos inúteis criam empatia com seu interlocutor, público ou leitor. Escolha um assunto bem banal. Pode ser a filosofia de seu cachorro, como despir o ser amado ou a beleza de uma certa modelo. Podem ser dicas de viagem, de como preparar um omelete ou bebericar um vinho caro. O importante aqui é surpreender a patuleia. Não adianta ser irrelevante sem causar espanto. Por exemplo: se o seu cão é filósofo, declare que você descobriu que ele, na verdade, plagiou o Tractatus logico-philosoficus de Ludwig Wittgenstein ou O mundo como vontade e representação (Die Welt als Wille und Vorstellung), de Arthur Schopenhauer. Cite-os em alemão. E explique as razões que o levaram à conclusão. Faça uma denúncia grave contra o animal. Demonstre cada ponto. E assim por diante. Não deixe por menos. 4. Faça-se de vítima. Diga ou escreva que você ou seu personagem sofreu “bullying” na infância, junto aos pais, na escola ou com amiguinhos malvados. Não use termos vernaculares como “fui perseguido” ou “sofri agressão”. Diga “bullying” que tudo fica mais moderno e compreensível. Invente um episódio sinistro e conte detalhes de como os adultos maltratavam você quando criancinha, em detalhes os mais escabrosos. Demonstre que você sofre agora mais do que nunca como o ocorrido. Isso o livrará de quase todo o confronto. Uma vez vitimizado, você pode tudo. Chore em público. 5. Use metáforas, símiles e figuras de linguagem que todos conhecem de ouvido, mas cujo significado não conhecem bem e, por conseguinte, causem impressão. Não há nada mais eficaz que uma imagem surrada, as metáforas moribundas e cretinas. Use-as para que ninguém se sinta excluído. Nestes tempos politicamente corretos e de inclusão social e ecológica, é preciso se fazer entender. Cuidado para não se valer de figuras antigas, como “misturar alhos com bugalhos” ou “caiu na rede é peixe”. São metáforas que de tão velhas se tornaram originais. Prefira falar de um “mundo sustentável”, de “governança corporativa”, “inovações tecnológicas” e “sinalização de tendências”. Tudo tem que ser “emblemático” e, melhor ainda, “paradigmático”. 6. Não economize pretensão. Seja metido a besta, fale de sua última viagem a Londres ou Shangai e cite os jornais certos. Não valem os nacionais. Impressione-os com seu conhecimento, mesmo e sobretudo se você não tem nenhum. Quanto menos você conhecer, mais fácil será simular que conhece. Esbanje notas de rodapé (tenha em mente que o David Foster-Wallace ficou famoso assim) ou digressões (Laurence Sterne do Tristram Shandy, ou Brás Cubas do Machado, lembra?). Valha-se de expressões estrangeiras ou mesmo barbarismos. Mostre que é categórico em algumas afirmações fortes. Cite os intelectuais da moda (por exemplo, Jacques Derrida e Roland Barthes caíram em desuso já faz tempo, não ouse mencioná-los, pois agora os quentes são Giorgio Agamben, Slavoj Zizek ou Christopher Hitchens). Não adianta apenas mostrar o nível avançado em filosofia ou economia política; é preciso estar antenado com as tecnologias de ponta, com o Twitter, o Tumblr etc. Conte uma piada para exibir o quanto você sabe sobre scripts dinâmicos que você ou seu personagem usa no seu blog. Isso vale para livros de ficção, não-ficção, autoajuda e infanto-juvenis. Vale também para conferências, chats e bate-papos virtuais ou não. 7. Degrade a língua. Você estará fazendo um serviço à ecologia. Desgaste as expressões mais usadas como se as tivesse engastando-as no mais perfeito poema parnasiano. Corrompa a sintaxe, use expressões estrangeiras, transforme o idioma em um instrumento para seu uso, e sob seu domínio. Faça as locuções pré-fabricadas tomarem conta do discurso. Se houver uma expressão mais clara, corte-a imediatamente, para que a simulação não seja descoberta. Abuse de termos estrangeiros, principalmente em inglês. Jamais se faça as seguintes perguntas: o que estou tentando dizer? Que palavras vou usar? Que imagem ou expressão idiomática deixará meu texto mais claro? Pule essas questões embaraçosas e vá em frente. 8. Desobedeça todas as regras acima, em caso de desvantagem. Se você observar que não está sendo popular, então infrinja tudo o que arrolei anteriormente. Vire um sábio de verdade, corte as palavras inúteis, represente seriedade, finja sentir a dor que deveras sente. Qualquer coisa para reverter as expectativas. Siga o venerando tuíte de Goethe: “Seja transgressivo, e os deuses o abençoarão”. Pelo menos é assim que os programadores linguísticos gostam de fazer: no final de uma lista, quebrá-la. Funciona. Sim, a vida é dura. Não basta apenas saber de cor as dicas, mas também se desfazer delas quando necessário. A constante busca de aperfeiçoamento e inovação na literatura e nas festas literárias nos obriga a recorrer a todo tipo de ferramenta retórica. Não se esqueça de que você estará sendo medido em cada um de seus neurônios. Por isso, busque o efeito correto para cada situação. Faça mentiras soarem verdadeiras, faça a ignorância parecer conhecimento. Substitua o estilo genuíno pelo chavão mais acachapante. Se preciso, em ultima instância, tente ser original, fingindo que finge. Mas cuidado para não por tudo a perder por excesso de zelo. Não brilhe demais para não ofender os outros – e, principalmente, os críticos. (Luís Antônio Giron escreve às terças-feiras.)

Centenário de Nelson Rodrigues

Nelson Falcão Rodrigues (Recife, 23 de agosto de 1912 — Rio de Janeiro, 21 de dezembro de 1980) foi um importante dramaturgo, jornalista e escritor brasileiro, tido como o mais influente dramaturgo do Brasil.

Nascido no Recife, Pernambuco, no ano de 1912, mudou-se em 1916 para a cidade do Rio de Janeiro. Quando maior, trabalhou no jornal A Manhã, de propriedade de seu pai. Foi repórter policial durante longos anos, de onde acumulou uma vasta experiência para escrever suas peças a respeito da sociedade. Sua primeira peça foi A Mulher sem Pecado, que lhe deu os primeiros sinais de prestígio dentro do cenário teatral. O sucesso mesmo veio com Vestido de Noiva, que trazia, em matéria de teatro, uma renovação nunca vista em nossos palcos. A consagração se seguiria com vários outros sucessos, transformando-o no grande representante da literatura teatral do seu tempo, apesar de suas peças serem taxadas muitas vezes como obscenas e imorais. Em 1962, começou a escrever crônicas esportivas, deixando transparecer toda a sua paixão por futebol. Veio a falecer em 1980, no Rio de Janeiro.

Características da obra

O teatro entrou na vida de Nelson Rodrigues por acaso. Uma vez que se encontrava em dificuldades financeiras, achou no teatro uma possibilidade de sair da situação difícil em que estava. Assim, escreveu "A mulher sem pecado…", sua primeira peça. Segundo algumas fontes, Nelson tinha o romance como gênero literário predileto, e suas peças seguiram essa predileção, pois as mesmas são como romances em forma de texto teatral. Nelson é um originalíssimo realista. Não é à toa que foi considerado um novo Eça. De fato, a prosa de Nelson era realista e, tal como os realistas do século XIX, ele criticou a sociedade e suas instituições, sobretudo o casamento.

Sendo esteticamente realista em pleno Modernismo, Nelson não deixou de inovar tal como fizeram os modernos. O autor transpôs a tragédia grega para o sociedade carioca do início do século XX, e dessa transposição surgiu a "tragédia carioca", com as mesmas regras daquela, mas com um tom contemporâneo. O erotismo está muito presente na obra de Nelson Rodrigues, o que lhe garante o título de realista. Nelson não hesitou em denunciar a sordidez da sociedade tal como o fez Eça de Queirós em suas obras. Esse erotismo realista de Nelson teve sua gênese em obras do século XIX, como "O Primo Basílio", e se desenvolveu grandemente na obra do autor pernambucano. Em síntese, Nelson foi um grande escritor, dramaturgo e cronista, e está imortalizado na literatura brasileira.

Acervo

O Cedoc – Centro de Documentação da Funarte possui amplo acervo sobre o dramaturgo, como fotos de peças, programas das produções teatrais, resenhas e comentários sobre espetáculos teatrais, entre eles Vestido de Noiva, encenado pela primeira vez para um Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Boa parte dos registros fotográficos de peças do dramaturgo existentes no Cedoc foram feitos pelo Estúdio Foto Carlos, que, nas décadas de 40, 50, 60, 70 e 80 e foram digitalizadas graças ao projeto Brasil Memória das Artes, incluindo registros de raridades, como uma participação de Nelson Rodrigues como ator. No Portal da Funarte ainda é possível ver vídeos produzidos sobre o dramaturgo e sua obra.
Fonte: wikipedia.
Conheça as obras desse Anjo pornográfico.

Outra de Rubem

Crônica

A OUTRA NOITE
Rubem Braga

Outro dia fui a São Paulo e resolvi voltar à noite, uma noite de vento sul e chuva, tanto lá como aqui. Quando vinha para casa de táxi, encontrei um amigo e o trouxe até Copacabana; e contei a ele que lá em cima, além das nuvens, estava um luar lindo, de lua cheia; e que as nuvens feias que cobriam a cidade eram, vistas de cima, enluaradas, colchões de sonho, alvas, uma paisagem irreal.

Depois que o meu amigo desceu do carro, o chofer aproveitou o sinal fechado para voltar-se para mim:

-O senhor vai desculpar, eu estava aqui a ouvir sua conversa. Mas, tem mesmo luar lá em cima?

Confirmei: sim, acima da nossa noite preta e enlamaçada e torpe havia uma outra - pura, perfeita e linda.

-Mas, que coisa...

Ele chegou a pôr a cabeça fora do carro para olhar o céu fechado de chuva. Depois continuou guiando mais lentamente. Não se sonhava em ser aviador ou pensava em outra coisa.

-Ora, sim senhor...

E, quando saltei e paguei a corrida, ele me disse um "boa noite" e um "muito obrigado ao senhor" tão sinceros, tão veementes, como se eu lhe tivesse feito um presente de rei.

Essa crônica é um belo exemplo de como emocionar com poucas palavras.

O Ódio no Brasil -- Leandro Karnal ( inscreva-se no canal )

Fascinante reflexão sobre o Brasil e brasileiro.

Globalização Milton Santos - O mundo global visto do lado de cá.

Ouvindo Milton Santos, podemos entender melhor a situação em que vivemos. Boa aula!

A História Secreta da Obsolescência Planeada [Legendado PT]

Informações sobre a sociedade de consumo e como ela se organiza.

A SERVIDÃO MODERNA (2009) - video completo (Leg. Pt).avi

Você pode concordar ou não com as ideias expostas no vídeo,no tentanto não podemos ignorá-lo.Afinal,qual o papel do ser humano em nosso planeta?

Story of Stuff - Completo e legendado em português

O vídeo promove uma reflexão sobre os valores do consumismo e os efeitos sobre a qualidade de vida no planeta. Bom debate!

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Aniversário da Rainha

REUTERS Por Mohammed Abbas LONDRES, 4 Jun (Reuters) - "Elizabeth domina as ondas!", foi uma das manchetes na esfuziante cobertura midiática do jubileu da rainha britânica nesta segunda-feira, terceiro dia de uma celebração que está contribuindo para reforçar a imagem de uma família real outrora envolvida em escândalos e vista como ultrapassada. Os jornais mostraram multidões desafiando a chuva para ver o espetacular desfile fluvial de domingo no rio Tâmisa, e apresentaram as atrações para o show desta segunda-feira em frente ao Palácio de Buckingham. Os eventos são parte das comemorações dos 60 anos de reinado de Elizabeth 2a. "Peça ao mundo que cite três coisas que resumam a Grã-Bretanha, e você terá três respostas: pompa, chuva e a rainha", disse o Daily Mail, evocando três elementos que dominaram o fim de semana. As festividades, apesar do mau tempo, foram uma dádiva não só para a família real, mas também para uma população assolada pela recessão, por escândalos políticos, pelo desemprego e por cortes previdenciários. A realeza do pop --incluindo Paul McCartney, Stevie Wonder e Elton John-- irá entreter a monarca de 86 anos na segunda-feira, junto com 10 mil portadores de ingressos que assistirão aos shows. A banda de ska Madness cantará "Our House", hit dos anos 1980, no telhado do palácio, e a BBC prometeu "um dos shows mais espetaculares já realizados no Reino Unido". Organizadores disseram que no domingo 1,2 milhão de pessoas se postaram às margens do Tamisa para ver mais de mil barcos escoltarem a rainha na embarcação dourada. De norte a sul do país, milhões de outras pessoas participaram de festas populares em ruas enfeitadas com a bandeira nacional, embora a chuva tenha feito muita gente ficar em casa. O desfile fluvial de domingo foi visto na TV por 10,3 milhões de pessoas, ou 60 por cento da audiência televisiva, segundo a BBC, e uma nova cifra expressiva é esperada na segunda-feira. Depois do show, 4.000 feixes de luz serão acessos em toda a Grã-Bretanha e em vários países da Commonwealth. O feriado prolongado do jubileu termina na terça-feira com um culto de ação de graças na catedral de São Paulo, uma procissão de carruagens na avenida Mall, exibição de voo da Real Força Aérea e um aceno de despedida da família real à multidão reunida diante do palácio de Buckingham. Os eventos marcam uma notável recuperação no apoio à rainha e à sua família na Grã-Bretanha, onde Elizabeth 2a goza hoje de alta popularidade e é vista como um símbolo de empenho, estabilidade e união nacional. Há 15 anos, a morte da princesa Diana, ex-nora da rainha, causou um grave dano à monarquia, já que muitos britânicos consideraram que Elizabeth 2a. não partilhou da comoção nacional com aquele fato. Os escândalos e casamentos desfeitos na família real também contribuíram naquela época para que a monarquia fosse vista como uma instituição ultrapassada e em risco de extinção. (Reportagem adicional de Mike Collett-White) SOBRE A REPORTAGEM: O sistema democrático brasileiro é republicano,porém alguns, ao assistirem aos ingleses, alegam que a presença de uma rainha na sociedade brasileira seria salutar.Entre os argumentos

Mais uma da Delta

BRASÍLIA - Promotores responsáveis pelo combate ao crime organizado em Goiás entraram com uma representação na Corregedoria do Ministério Público do Estado para investigar se um software 'espião' instalado em computadores do órgão foi utilizado para quebrar o sigilo de operações. O programa foi detectado também em máquinas usadas por promotores que apuram as atividades da Delta Construções em Goiás. A representação, a que o Estado teve acesso, afirma que os computadores do órgão eram monitorados por um programa que 'fotograva' a cada 30 segundos a tela. Também era possível acessar qualquer máquina a partir da sede do Ministério Público, em Goiânia, que está sob o comando do procurador-geral Benedito Torres, irmão do senador Demóstenes Torres (ex-DEM, sem partido-GO). A denúncia, encaminhada em 23 de maio passado, atesta que o programa é capaz de monitorar, sem autorização, o trabalho de promotores, assessores e servidores. O caso foi descoberto em Itumbiara, no interior de Goiás, e outros promotores, especialmente aqueles que atuavam na área de combate ao crime organizado, também identificaram recentemente o programa oculto. Na capital, cinco computadores e um notebook da 57.ª Promotoria de Justiça, que investiga casos envolvendo a empreiteira, também tinham o software. Promotores possuem independência funcional e suas investigações não são compartilhadas obrigatoriamente com o chefe do MP. 'Este fato, objeto da presente representação, é gravíssimo, porque alguns dos procedimentos em curso na 57.ª Promotoria são sigilosos, o que poderá caracterizar a prática de crime, por parte de quem tiver acessado nossos computadores e por parte de quem determinou o acesso, ilegal e clandestino', diz o texto da representação. Espião. Peritos de informática mobilizados pelos promotores confirmaram a instalação do programa, que era autoexecutável e ficava oculto em todas as máquinas. 'O que sabemos é que o programa tem um potencial muito grande de espionagem', disse um dos promotores ao Estado. O programa, segundo a representação, acessava arquivos internos da máquina, sem necessidade de autorização ou sem que fosse possível identificá-lo. Enviada ao corregedor Aylton Flávio Vechi, a representação pede a imediata retirada do programa de todos os computadores, a oitiva do superintendente de informática do MP e auditagem das máquinas e o esclarecimento de quantas vezes o espião foi utilizado, por quem e a mando de quem. Além disso, quer saber se o procurador-geral de Justiça, irmão de Demóstenes, autorizou acessos durante sua gestão, iniciada em 2011, ou teve conhecimento do uso do programa, instalado seis meses antes de sua posse, mas até hoje operante. O MP reconhece o uso de dois programas nos computadores do órgão para suporte remoto. Conforme o diretor-geral, Frederico Guedes Coelho, o serviço foi certificado conforme o ISO 9001 e todos os documentos referentes aos programas são públicos desde julho de 2010. Coelho nega uso para espionagem. 'Não se observa a existência de atividade de suporte oculta ou sem autorização nos equipamentos que seguem as configurações, procedimentos e rotinas estabelecidas pela área técnica de Tecnologia da Informação do MP-GO', afirmou em nota técnica enviada ao Estado. Programa auditado. Em entrevista ao Estado, o procurador-geral de Justiça de Goiás, Benedito Torres, negou a possibilidade de espionagem no Ministério Público Estadual. 'Não tem nada disso. Já produzimos uma nota explicativa da área de tecnologia da informação que mostra que o programa é auditado e usado em diversos órgãos', defendeu-se. Segundo Torres, o 'que se tenta fazer é denúncia com objetivos escusos. O programa é uma coisa certa'. Ainda conforme o procurador-geral, o programa já existia quando assumiu o posto, em 2011. Sobre a investigação de improbidade a que responde, Torres afirma que resulta numa análise jurídica de competência. 'Não vou entrar no mérito. O que quero é que tenha a investigação.' Ele afirma que não existe nada oculto no MP goiano e que todas as decisões da área de informática foram tornadas públicas. (O Estadão) SOBRE O TEXTO REFLITA: Após tantos escândalos envolvendo empresas privadas na prestação de serviços ao governo, podemos afirmar que ela seria um dos principais causadores da corrupção ativa no país? Como reverter esse quadro?O que pode ser feito para intimidar os corruptores?

Tema de redação

Ronaldinho Gaúcho nega que tenha faltado profissionalismo de sua parte na fracassada passagem de 16 meses pelo Flamengo. Diante das acusações da diretoria rubro-negra, o meia rechaça falta de empenho nos treinos, mesmo depois que os salários começaram a atrasar. Em poucas palavras, negando todos os "boatos" tornados públicos desde sua saída, R10 tentou explicar os motivos que o levaram a entrar com o pedido de rescisão na Justiça. Isso, ele não nega: os atrasos constantes nos salários foram a gota d’água. Os inúmeros treinos perdidos e atrasos, segundo ele, em nada tiveram a ver com as noitadas. Ao contrário do que afirmou Zinho, diretor de futebol, Ronaldinho afirma nunca ter chegado embriagado para uma atividade com o grupo, e justifica as más condições físicas somente ao cansaço do dia-a-dia ­ "normais de qualquer jogador", garante ele. "Sempre fui profissional, em todos os clubes que passei. Se eu não fosse, as pessoas falariam. Quase sempre estive treinando, participei de quase todos os jogos. Me apresentei cansado, como todos as atletas fazem um dia. É normal. Cansaço normal de não ter condições de treinar por ter saído (na noite anterior), nunca. Nas vezes que eu saio, sou uma pessoa pública, todo mundo sabe que saí", afirmou o jogador, em entrevista ao Fantástico, da TV Globo. Desde que os atrasos nos salários de Gaúcho tornaram-se públicos - em decorrência dos problemas no acordo firmado em dezembro entre o jogador, a Traffic e o Flamengo -, o desempenho do camisa 10 em campo caiu. Ele não nega que talvez possa ter decepcionado em alguns jogos, mas discorda que tenha qualquer relação com dinheiro. Ele garante nunca ter falto a nenhuma ação de marketing pelanejada pelo Fla. "Não, foi uma coincidência, um azar (a queda de rendimento na mesma época dos atrasos de salário). Porque começamos a perder na época em que as coisas já não estavam bem. Quando entramos em campo esquecemos, não pensamos em dinheiro. A gota d’água foi acumulando, vários meses sem receber. Às vezes atrasava alguns dias, pagavam. Às vezes juntava dois meses e pagavam. Tinham vários tipos de atraso", disse. "Não é todo jogo que se joga bem. Tive grandes jogos, outros que não saíram bem. Como acontece com todo jogador. Sempre que o Flamengo me chamou (para ações de marketing) eu fui. Essa parte não sou nem eu que cumpro, é meu empresário, são meus advogados. Sempre que fui convidado, eu participei", garantiu. Os diversos "causos" criados em torno do jogador em sua passagem pelo Flamengo também foram, em sua maioria, rechaçados pelo jogador. Somente um, ocorrido no ano passado, Ronaldinho não nega. Durante um período de treinamentos em Londrina (PR), ele foi flagrado por câmeras entrando no quarto de uma mulher no hotel da concentração, fato que estremeceu sua relação com o técnico Vanderlei Luxemburgo. Segundo R10, era só uma amiga. "Desde que cheguei ao Flamengo, sempre tive a mesma conduta. Nos sete meses que foram só vitórias, não tinha história nenhuma. Quando não começou a perder, começaram a procurar motivos e inventar muita coisa. Não levei ninguém na concentração, encontrei uma menina que já conhecida no hotel, falei com ela normalmente. Fui no quarto dela, conversei, não tem nada a ver com a saída do Vanderlei. Nunca discuti com nenhum treinador", declarou. APÓS LER A REPORTAGEM DO JOGADOR RONALDINHO,REFLITA: O salário dos jogadores de futebol é altíssimo.Muitos atletas não correspondem a relação custo e benefício e acabam assumindo atitudes pouco profissionais. Apartir desse texto ,podemos propor alguns temas para a redação: a- Jogador de futebol é um atleta no contrato,porém não adota um estilo de vida regrado.Disserte sobre isso. b- O jogador de futebol e a sua formação: até onde atrapalha ou não? c- A ética no mercado de trabalho do futebol. d- Os altos salários do futebol ajudamn ou atrapalham?

domingo, 15 de abril de 2012

Ataques Talibãs

O Talibã afegão prometeu lançar mais ataques do gênero, depois da série de agressões coordenadas que atingiram neste domingo (15) Cabul, capital do Afeganistão, e várias províncias do país invadido.

Zabihullah Mujahid, porta-voz do movimento islâmico, disse que os ataques são retaliação pela queima de cópias do Corão, livro sagrado do Islã, em uma base da Otan, pela morte de 17 civis afegãos nas mãos de um soldado americano e por vídeos que, aparentemente, mostravam fuzileiros navais dos EUA urinando em militantes mortos.

Os talibãs fizeram vários ataques simultâneos neste domingo em Cabul e várias províncias afegãs, no que chamaram de início de sua "ofensiva de primavera".
O rigoroso inverno boreal (hemisfério norte) afegão é um período de repouso para os talibãs, cuja guerrilha ganha intensidade e se estende para todo o país no início da primavera, quando o degelo libera as passagens montanhosas da fronteira com o Paquistão.

Na capital, sofreram ataques o prédio do Parlamento e o bairro que abriga as representações diplomáticas ocidentais, além da sede da Otan e de locais frequentados por estrangeiros. Vários prédios foram tomados por combatentes.

Pelo menos outros três ataques ocorreram em outros pontos do leste do país invadido.

Ao menos 19 militantes foram mortos, informou o porta-voz do ministério do Interior Sediq Sediqqi.

Os ataques estão sendo considerados um dos maiores desde que tropas ocidentais lideradas pelos EUA derrubaram o Talibã do poder, em 2011.
Fonte: g1.com.br

Divergência sobre Cuba e Malvinas

A falta de consenso em relação à participação de Cuba nos próximos encontros regionais e ao apoio à Argentina, que reivindica a soberania sobre as Ilhas Malvinas, invibializou uma declaração conjunta dos líderes presentes à 6ª Cúpula das Américas, realizada neste final de semana em Cartagena das Índias, na Colômbia.

Pela primeira vez, países aliados dos Estados Unidos, como a Colômbia, reforçaram a demanda para que Cuba estivesse presente na próxima reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA). Cuba foi excluída da OEA anos depois da Revolução Cubana, liderada por Fidel Castro, em 1959, e não participa das cúpulas americanas por causa da oposição dos Estados Unidos e do Canadá.

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, cobrou abertamente uma mudança de atitude em relação à ilha comunista. "O isolamento, o embargo, a indiferença, olhar para o outro lado, vêm sendo ineficazes", afirmou o anfitrião do evento.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, não falou sobre Cuba durante o evento na Colômbia. Mas queixou-se de questões da Guerra Fria, algumas anteriores a seu nascimento, prejudicarem as perspectives de integração regional.

O assessor presidencial para Assuntos Internacionais do Brasil, Marco Aurélio Garcia, disse à agência France Presse que os presidentes não assinaram a declaração final devido à decisão de Estados Unidos e Canadá de vetar a proposta de convidar Cuba para as próximas cúpulas e de não apoiar a reivindicação argentina de soberania sobre as ilhas Malvinas, sob controle da Grã-Bretanha.

"Não houve possibilidade de uma declaração conjunta. Estados Unidos e Canadá não estão de acordo com Cuba e Malvinas", afirmou Garcia à rádio colombiana RCN.

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, deixou Cartagena em direção a Buenos Aires pela manhã, antes do final da cúpula. A reunião bilateral que estava programada entre o colombiano Juan Manuel Santos e a presidente Dilma Rousseff, ao final do encontro, acabou sendo cancelada.

Em comunicado, a Presidência argentina informou que Cristina Kirchner pronunciou um discurso no qual "agradeceu o apoio e a solidariedade de mais de 30 países pelas Malvinas".

"Todos os países na América Latina e no Caribe apoiam Cuba e Argentina, embora dois países se recusem a discutir isso", afirmou o presidente boliviano, Evo Morales. "Como é possível que Cuba não esteja presente na Cúpula das Américas?", indagou Morales. "De que tipo de integração estamos falando se excluímos Cuba?"

Por causa da questão cubana, o presidente do Equador, Rafael Correa, boicotou o evento. O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, também não participou da cúpula. Venezuela, Equador, Bolívia, Nicarágua e algumas nações caribenhas afirmaram que não participarão de outras cúpulas se Cuba for excluída.

Também não houve acordo durante a cúpula sobre as alternativas para a luta antidrogas na região. "No outro tema central, como é o do debate sobre as drogas e sua descriminalização, também não foram alcançados consensos entre os países, o que significou outro obstáculo para a assinatura de uma declaração final da VI Cúpula das Américas", disse a presidência argentina em seu site.

Presidentes que participam da Cúpula das Américas, na Colômbia, se reúnem para foto oficial na área externa do centro de convenções onde acontece o encontro, em Cartagena das Índias (Foto: Reuters)

Repetição
Em 2009, em Trinidad e Tobago, onde ocorreu a edição anterior da cúpula, a falta de consenso a respeito dos temas em discussão também impediu a formulação de uma declaração conjunta dos líderes dos países participantes.

O ambiente da cúpula de Cartagena contrastou com o de 2009, quando Obama, lobo após ter sido eleito, foi recebido como uma estrela. Desta vez, o presidente norte-americana enfrentou desconforto nos dois dias do encontro na Colômbia, do qual participaram mais de 30 chefes de Estado.

Dezesseis integrantes da segurança pessoal da delegação dos EUA foram pegos em um embaraçoso escândalo de prostituição e o Brasil e outros países criticaram duramente o expansionismo monetário adotado por países ricos. Obama também ficou na defensiva diante das demandas pela legalização de drogas

Colômbia e Estados Unidos
Durante a cúpula, o representante norte-americano para o comércio, Ron Kirk, anunciou que entrará em vigor no próximo dia 15 de maio o Tratado de Livre Comércio entre Colômbia e Estados Unidos.

"Os governos de Estados Unidos e Colômbia concluíram o trabalho técnico. A Colômbia já aprovou as leis e regulamentos necessários para que o TLC entre em vigor no próximo dia 15 de maio", disse Kirk.

O tratado foi ratificado pelo Congresso americano em outubro passado, após um bloqueio de mais de cinco anos por parte de legisladores democratas, que criticavam o desempenho da Colômbia sobre direitos trabalhistas e liberdade sindical.

O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, se comprometeu com Obama a melhorar os direitos trabalhistas e a liberdade sindical e a aprovar a legislação exigida pelos Estados Unidos referente à propriedade intelectual.

Obama também acertou com o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, o aprofundamento da cooperação bilateral em matéria de segurança. O Plano de Ação Regional de Cooperação em Segurança entre Colômbia e Estados Unidos é uma resposta ao "aumento da insegurança gerada pelo crime organizado internacional", destacou o departamento americano de Estado em um comunicado.

domingo, 8 de abril de 2012

A violência contra a mulher.

A violência contra a mulher na sociedade
A violência contra a mulher pode se manifestar de várias formas e com diferentes graus de severidade. Estas formas de violência não se produzem isoladamente, mas fazem parte de uma sequência crescente de episódios, do qual o homicídio é a manifestação mais extrema.
Violência de gênero
Violência de gênero consiste em qualquer ação ou conduta, baseada no gênero, que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico à mulher, tanto no âmbito público como no privado. A violência de gênero é uma manifestação de relações de poder historicamente desiguais entre homens e mulheres, em que a subordinação não implica na ausência absoluta de poder.
Violência intrafamiliar
A violência intrafamiliar é toda ação ou omissão que prejudique o bem-estar, a integridade física, psicológica ou a liberdade e o direito ao pleno desenvolvimento de outro membro da família. Pode ser cometida dentro ou fora de casa por algum membro da família, incluindo pessoas que passam a assumir função parental, ainda que sem laços de consangüinidade, e em relação de poder à outra. O conceito de violência intrafamiliar não se refere apenas ao espaço físico onde a violência ocorre, mas também às relações em que se constrói e efetua.
Violência doméstica
A violência doméstica distingue-se da violência intrafamiliar por incluir outros membros do grupo, sem função parental, que convivam no espaço doméstico. Incluem-se aí empregados(as), pessoas que convivem esporadicamente, agregados. Acontece dentro de casa ou unidade doméstica e geralmente é praticada por um membro da família que viva com a vítima. As agressões domésticas incluem: abuso físico, sexual e psicológico, a negligência e o abandono.
Violência física
Ocorre quando uma pessoa, que está em relação de poder em relação a outra, causa ou tenta causar dano não acidental, por meio do uso da força física ou de algum tipo de arma que pode provocar ou não lesões externas, internas ou ambas. Segundo concepções mais recentes, o castigo repetido, não severo, também se considera violência física.
Esta violência pode se manifestar de várias formas:
• Tapas ;• Empurrões;• Socos;• Mordidas

Violência sexual
A violência sexual compreende uma variedade de atos ou tentativas de relação sexual sob coação ou fisicamente forçada, no casamento ou em outros relacionamentos.
A violência sexual é cometida na maioria das vezes por autores conhecidos das mulheres envolvendo o vínculo conjugal (esposo e companheiro) no espaço doméstico, o que contribui para sua invisibilidade. Esse tipo de violência acontece nas várias classes sociais e nas diferentes culturas. Diversos atos sexualmente violentos podem ocorrer em diferentes circunstâncias e cenários:
• Estupro dentro do casamento ou namoro;• Estupro cometido por estranhos;• Investidas sexuais indesejadas ou assédio sexual, inclusive exigência de sexo como pagamento de favores;• Abuso sexual de pessoas mental ou fisicamente incapazes;• Abuso sexual de crianças;entre outros...

Violência psicológica
É toda ação ou omissão que causa ou visa causar dano á auto-estima, à identidade ou ao desenvolvimento da pessoa. Inclui:
• Insultos constantes ; • Humilhação;• Desvalorizaçãoc; • Chantagem ; • Isolamento de amigos e familiares; • Ridicularização ; • Rechaço ; • Manipulação afetiva;entre outras
Como podemos observar, há diferentes formas de manifestação da violência praticada contra a mulher e não são práticas recentes. A partir dos textos da coletânea, produza uma dissertação sobre o seguinte tema: Como enfrentar a violência praticada contra a mulher?
Lembre-se de que sua proposta deve valorizar os direitos humanos

Tema:o que faz você feliz?

O QUE FAZ VOCÊ FELIZ?
Comer morango com a mão
Por açucar no abacate
Brincar com melão, goiaba, romã, jaboticaba
Ou é o gostinho de infância que te faz feliz?
Cuspir sementes de melancia
Falar besteira, ficar sem fazer nada
Plantar bananeira
ou comer banana amassada
A lua, a praia, o mar
A rua, a saia, amar...
Um doce, uma dança, um beijo,
Ou é a goiabada com queijo?
Afinal, o que faz você feliz?
Chocolate, paixão, dormir cedo, acordar tarde,
Arroz com feijão, matar a saudade...
O aumento, a casa, o carro que você sempre quis
Ou são os sonhos que te fazem feliz?
Um filme, um dia, uma semana
Um bem, um biquíni, a grama...
Dormir na rede, matar a sede, ler...
Ou viver um romance?
O que faz você feliz?
Um lápis, uma letra, uma conversa boa
Um cafuné, café com leite, rir à toa,
Um pássaro, ser dono do seu nariz...
Ou será um choro que te faz feliz?
A causa, a pausa, o sorvete,
Sentir o vento, esquecer o tempo
O sal, o sol, um som,
O ar, a pessoa ou o lugar?

(Propaganda do Pao de Acucar- 2007)

Ao ler o texto acima,faça uma reflexão sobre o ideal de felicidade e escreva uma dissertação sobre: o que faz você feliz?

ENEM-2001

REDAÇÃO


“É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à saúde, à alimentação, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocálos a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, crueldade e opressão”.
Artigo 227, Constituição da República Federativa do Brasil.

(...) Esquina da Avenida Desembargador Santos Neves com Rua José Teixeira, na Praia do Canto, área nobre de Vitória. A.J., 13 anos, morador de Cariacica, tenta ganhar algum trocado vendendo balas para os motoristas. (...)
“Venho para a rua desde os 12 anos. Não gosto de rabalhar aqui, mas não tem outro jeito. Quero ser mecânico”.
A Gazeta, Vitória (ES), 9 de junho de 2000.

Entender a infância marginal significa entender porque um menino vai para a rua e não à escola. Essa é, em essência, a diferença entre o garoto que está dentro do
carro, de vidros fechados, e aquele que se aproxima do carro para vender chiclete ou pedir esmola. E essa é a diferença entre um país desenvolvido e um país de Terceiro Mundo.
Gilberto Dimenstein. O cidadão de papel. São Paulo, Ática, 2000. 19a. edição.

Com base na leitura da charge, do artigo da Constituição, do depoimento de A.J. e do trecho do livro O cidadão de papel, redija um texto em prosa, do tipo dissertativo-argumentativo, sobre o tema: Direitos da criança e do adolescente: como enfrentar esse desafio nacional?
Ao desenvolver o tema proposto, procure utilizar os conhecimentos adquiridos e as reflexões feitas ao longo de sua formação. Selecione, organize e relacione argumentos, fatos e opiniões para defender o seu ponto de vista, elaborando propostas para a solução do problema discutido em seu texto.

ENEM - 2002

REDAÇÃO



Para que existam hoje os direitos políticos, o direito de votar e ser votado, de escolher seus governantes e representantes, a sociedade lutou muito.
www.iarabernardi.gov.br. 01/03/02.

A política foi inventada pelos humanos como o modo pelo qual pudessem expressar suas diferenças e conflitos sem
transformá-los em guerra total, em uso da força e extermínio recíproco. (...)
A política foi inventada como o modo pelo qual a sociedade, internamente dividida, discute, delibera e decide em comum para aprovar ou reiterar ações que dizem respeito a todos os seus membros.
Marilena Chauí. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 1994.

A democracia é subversiva. É subversiva no sentido mais radical da palavra.
Em relação à perspectiva política, a razão da preferência pela democracia reside no fato de ser ela o principal remédio contra o abuso do poder. Uma das formas (não a única) é o controle pelo voto popular que o método democrático permite pôr em prática. Vox populi vox dei.
Norberto Bobbio. Qual socialismo? Discussão de uma alternativa.
Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983. Texto adaptado.

Se você tem mais de 18 anos, vai ter de votar nas próximas eleições. Se você tem 16 ou 17 anos, pode votar ou não.
O mundo exige dos jovens que se arrisquem. Que alucinem. Que se metam onde não são chamados. Que sejam encrenqueiros e barulhentos. Que, enfim, exijam o impossível.
Resta construir o mundo do amanhã. Parte desse trabalho é votar. Não só cumprir uma obrigação. Tem de votar com hormônios, com ambição, com sangue fervendo nas veias. Para impor aos vitoriosos suas exigências . antes e principalmente depois das eleições.
André Forastieri. Muito além do voto. Época. 6 de maio de 2002. Texto adaptado.
Considerando a foto e os textos apresentados, redija um texto dissertativo-argumentativo sobre o tema O direito de
votar: como fazer dessa conquista um meio para promover as transformações sociais de que o Brasil necessita?
Ao desenvolver o tema, procure utilizar os conhecimentos adquiridos e as reflexões feitas ao longo de sua formação.
Selecione, organize e relacione argumentos, fatos e opiniões, e elabore propostas para defender seu ponto de vista.

Observações:
• Lembre-se de que a situação de produção de seu texto requer o uso da modalidade escrita culta da língua portuguesa.
• O texto não deve ser escrito em forma de poema (versos) ou narração.
• O texto deverá ter no mínimo 15 (quinze) linhas escritas.

ENEM - 2003

REDAÇÃO

Para desenvolver o tema da redação, observe o quadro e leia os textos apresentados a seguir:



Entender a violência, entre outras coisas, como fruto de nossa horrenda desigualdade social, não nos leva a desculpar os criminosos, mas poderia ajudar a decidir que tipo de investimentos o Estado deve fazer para enfrentar o problema: incrementar violência por meio da repressão ou tomar medidas para sanear alguns problemas sociais gravíssimos? (Maria Rita Kehl. Folha de S. Paulo)

Ao expor as pessoas a constantes ataques à sua integridade física e moral, a violência começa a gerar expectativas, a fornecer padrões de respostas. Episódios truculentos e situações-limite passam a ser imaginados e repetidos com o fim de legitimar a idéia de que só a força resolve conflitos. A violência torna-se um item obrigatório na visão de mundo que nos é transmitida. O problema, então, é entender como chegamos a esse ponto. Penso que a questão crucial, no momento, não é a de saber o que deu origem ao jogo da violência, mas a de saber como parar um jogo que a maioria, coagida ou não, começa a querer continuar jogando. (Adaptado de Jurandir Costa. O medo social.)

Considerando a leitura do quadro e dos textos, redija um texto dissertativo-argumentativo sobre o tema: A violência na sociedade brasileira: como mudar as regras desse jogo?

Instruções:

• Ao desenvolver o tema proposto, procure utilizar os conhecimentos adquiridos e as reflexões feitas ao longo de sua formação. Selecione, organize e relacione argumentos, fatos e opiniões para defender seu ponto de vista, elaborando propostas para a solução do problema discutido em seu texto. Suas propostas devem demonstrar respeito aos direitos humanos.
• Lembre-se de que a situação de produção de seu texto requer o uso da modalidade escrita culta da língua portuguesa.
• O texto não deve ser escrito em forma de poema (versos) ou de narrativa.
• O texto deverá ter no mínimo 15 (quinze) linhas escritas.

ENEM - 2004

REDAÇÃO

Leia com atenção os seguintes textos:



Os programas sensacionalistas do rádio e os programas policiais de final da tarde em televisão saciam curiosidades perversas e até mórbidas tirando sua matéria-prima do drama de cidadãos humildes que aparecem nas delegacias como suspeitos de pequenos crimes. Ali, são entrevistados por intimidação. As câmeras invadem barracos e cortiços, e gravam sem pedir licença a estupefação de famílias de baixíssima renda que não sabem direito o que se passa: um parente é suspeito de estupro, ou o vizinho acaba de ser preso por tráfico, ou o primo morreu no massacre de fim de semana no bar da esquina. A polícia chega atirando; a mídia chega filmando.
Eugênio Bucci. Sobre ética e imprensa. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

Quem fiscaliza [a imprensa]? Trata-se de tema complexo porque remete para a questão da responsabilidade não só das
empresas de comunicação como também dos jornalistas. Alguns países, como a Suécia e a Grã-Bretanha, vêm há anos tentando resolver o problema da responsabilidade do jornalismo por meio de mecanismos que incentivam a auto-regulação da mídia.
http://www.eticanatv.org.br
Acesso em 30/05/2004.

Incisos do Artigo 5º da Constituição Federal de 1988:

IX – é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;
X – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação.

Com base nas idéias presentes nos textos acima, redija uma dissertação em prosa sobre o seguinte tema:
Como garantir a liberdade de informação e evitar abusos nos meios de comunicação?
Ao desenvolver o tema proposto, procure utilizar os conhecimentos adquiridos e as reflexões feitas ao longo de sua formação. Selecione, organize e relacione argumentos, fatos e opiniões para defender seu ponto de vista e suas propostas.

Observações:
• Seu texto deve ser escrito na modalidade culta da língua portuguesa.
• O texto não deve ser escrito em forma de poema (versos) ou narração.
• O texto deverá ter no mínimo 15 (quinze) linhas escritas.

ENEM-2005

REDAÇÃO
“A crueldade do trabalho infantil é um pecado social grave em nosso País. A dignidade de milhões de crianças brasileiras está sendo roubada diante do desrespeito aos direitos humanos fundamentais que não lhes são reconhecidos: por culpa do poder público, quando não atua de forma prioritária e efetiva, e por culpa da família e da sociedade, quando se omitem diante do problema ou quando simplesmente o ignoram em decorrência da postura individualista que caracteriza os regimes sociais e políticos do capitalismo contemporâneo, sem pátria e sem conteúdo ético.”
(Xisto T. de Medeiros Neto. A crueldade do trabalho infantil.
Diário de Natal. 21/10/2000.)

“Submetidas aos constrangimentos da miséria e da falta de alternativas de integração social, as famílias optam por preservar a integridade moral dos filhos, incutindo-lhes valores, tais como a dignidade, a honestidade e a honra do trabalhador. Há um investimento no caráter moralizador e disciplinador do trabalho, como tentativa de evitar que os filhos se incorporem aos grupos de jovens marginais e delinqüentes, ameaça que parece estar cada vez mais próxima das portas das casas.”
(Joel B. Marin. O trabalho infantil na agricultura moderna.
www.proec.ufg.br.)

“Art. 4o. – É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do Poder Público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.”
(Estatuto da Criança e do Adolescente. Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990.)

Com base nas idéias presentes nos textos acima, redija uma dissertação sobre o tema:
O trabalho infantil na realidade brasileira.
Ao desenvolver o tema proposto, procure utilizar os conhecimentos adquiridos e as reflexões feitas ao longo de sua formação. Selecione, organize e relacione argumentos, fatos e opiniões para defender seu ponto de vista e suas propostas, sem ferir os direitos humanos.

Observações:
• Seu texto deve ser escrito na modalidade padrão da língua portuguesa.
• O texto não deve ser escrito em forma de poema (versos) ou narração.
• O texto deve ter, no mínimo, 15 (quinze) linhas escritas.

ENEM 2006

REDAÇÃO

Uma vez que nos tornamos leitores da palavra, invariavelmente estaremos lendo o mundo sob a influência dela, tenhamos consciência disso ou não. A partir de então, mundo e palavra permearão constantemente nossa leitura e inevitáveis serão as correlações, de modo intertextual, simbiótico, entre realidade e ficção. Lemos porque a necessidade de desvendar caracteres, letreiros, números faz com que passemos a olhar, a questionar, a buscar decifrar o desconhecido. Antes mesmo de ler a palavra, já lemos o universo que nos permeia: um cartaz, uma imagem, um som, um olhar, um gesto.
São muitas as razões para a leitura. Cada leitor tem a sua maneira de perceber e de atribuir significado ao que lê.

Inajá Martins de Almeida. O ato de ler.
Internet: (com adaptações).

Minha mãe muito cedo me introduziu aos livros.
Embora nos faltassem móveis e roupas, livros não poderiam faltar. E estava absolutamente certa.
Entrei na universidade e tornei-me escritor. Posso garantir: todo escritor é, antes de tudo, um leitor.

Moacyr Scliar. O poder das letras. In: TAM Magazine,
jul./2006, p. 70 (com adaptações).

Existem inúmeros universos coexistindo com o nosso, neste exato instante, e todos bem perto de nós. Eles são bidimensionais e, em geral, neles imperam o branco e o negro.
Estes universos bidimensionais que nos rodeiam guardam surpresas incríveis e inimagináveis! Viajamos instantaneamente aos mais remotos pontos da Terra ou do Universo; ficamos sabendo os segredos mais ocultos de vidas humanas e da natureza; atravessamos eras num piscar de olhos; conhecemos civilizações desaparecidas e outras que nunca foram vistas por olhos humanos.
Estou falando dos universos a que chamamos de livros. Por uns poucos reais podemos nos transportar a esses universos e sair deles muito mais ricos do que quando entramos.


Considerando que os textos acima têm caráter apenas motivador, redija um texto dissertativo a respeito do seguinte tema:

O PODER DE TRANSFORMAÇÃO DA LEITURA.

Ao desenvolver o tema proposto, procure utilizar os conhecimentos adquiridos e as reflexões feitas ao longo de sua forma. Selecione, organize e relacione argumentos, fatos e opiniões para defender seu ponto de vista e suas propostas, sem ferir os direitos humanos.

Observações:
_ Seu texto deve ser escrito na modalidade padrão da língua portuguesa.
_ O texto não deve ser escrito em forma de poema (versos) ou narração.
- O texto deve ter, no mínimo, 15 (quinze) linhas escritas.

ENEM-2007

REDAÇÃO

Ninguém = Ninguém
Engenheiros do Hawaii

Há tantos quadros na parede
há tantas formas de se ver o mesmo quadro
há tanta gente pelas ruas
há tantas ruas e nenhuma é igual a outra
(ninguém = ninguém)
me espanta que tanta gente sinta
(se é que sente) a mesma indiferença

há tantos quadros na parede
há tantas formas de se ver o mesmo quadro
há palavras que nunca são ditas
há muitas vozes repetindo a mesma frase
(ninguém = ninguém)
me espanta que tanta gente minta
(descaradamente) a mesma mentira

todos iguais, todos iguais
mas uns mais iguais que os outros

Uns Iguais Aos Outros
Titãs

Os homens são todos iguais
(...)
Brancos, pretos e orientais
Todos são filhos de Deus
(...)
Kaiowas contra xavantes
Árabes, turcos e iraquianos
São iguais os seres humanos
São uns iguais aos outros, são uns iguais aos outros
Americanos contra latinos
Já nascem mortos os nordestinos
Os retirantes e os jagunços
O sertão é do tamanho do mundo
Dessa vida nada se leva
Nesse mundo se ajoelha e se reza
Não importa que língua se fala
Aquilo que une é o que separa
Não julgue pra não ser julgado
(...)
Tanto faz a cor que se herda
(...)
Todos os homens são iguais
São uns iguais aos outros, são uns iguais aos outros

A cultura adquire formas diversas através do tempo e do espaço. Essa diversidade se manifesta na originalidade e na pluralidade de identidades que caracterizam os grupos e as sociedades que compõem a humanidade. Fonte de intercâmbios, de inovação e de criatividade, a diversidade cultural é, para o gênero humano, tão necessária como a diversidade biológica para a natureza. Nesse sentido, constitui o patrimônio comum da humanidade e deve ser reconhecida e consolidada em benefício das gerações presentes e futuras.
UNESCO. Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural.

Todos reconhecem a riqueza da diversidade no planeta. Mil aromas, cores, sabores, texturas, sons encantam as pessoas no mundo todo; nem todas, entretanto, conseguem conviver com as diferenças individuais e culturais. Nesse sentido, ser diferente já não parece tão encantador. Considerando a figura e os textos acima como motivadores, redija um texto dissertativo-argumentativo a respeito do seguinte tema.

O desafio de se conviver com a diferença

Ao desenvolver o tema proposto, procure utilizar os conhecimentos adquiridos e as reflexões feitas ao longo de sua formação. Selecione, organize e relacione argumentos, fatos e opiniões para defender seu ponto de vista e suas propostas, sem ferir os direitos humanos.

sábado, 7 de abril de 2012

Tema de redação FGV

A imagem e os textos apresentados a seguir constituem um pequeno conjunto de ideias e estímulos que informam a proposta de redação. Por isso, leve-os em consideração ao redigir o seu texto dissertativo.

Texto I

A transparência veio para ficar Independentemente de países ou mesmo de classes sociais, temos um amplo e crescente aumento do fluxo de informação. Nesta época de blogs e redes sociais (como Twitter, Facebook e Orkut), abastecidos por aparelhos celulares que são também gravadores e câmeras fotográficas, tudo se sabe e a informação flui em poucos segundos. Assim, entramos numa fase em que tudo o que um indivíduo ou uma empresa faz pode virar público instantaneamente. [...]
De certa maneira, podemos dizer que a luz está acesa, e aqueles processos que dependiam das sombras para sobreviver estão condenados a desaparecer. Isso é muito positivo, pois poderemos conhecer cada vez melhor as pessoas, as empresas e os governos como eles são, e não como eles gostariam que fossem percebidos. […]
Precisamos de líderes que encorajem a abertura e a discussão e estejam sempre em busca do diálogo com os vários públicos com os quais se relacionam. Precisamos de uma sociedade com valores claros e que saiba reconhecer o benefício desse caminho. Em tempos de hipervelocidade de informação, a transparência será total, e todos sairemos ganhando.
Fábio Barbosa, presidente do Grupo Santander Brasil e da Febraban. Folha de S. Paulo, 13 de junho de 2010 (excerto).
Texto II
Entrevista com Eben Moglen, concedida a Andrea Murta
Enquanto os membros do Facebook discutem as minúcias dos controles de privacidade de seus perfis, provedores de serviços on-line seguem silenciosamente construindo dossiês sobre as ações de seus usuários. Para Eben Moglen, professor de Direito na Universidade Columbia (Nova York) e diretor do Centro Legal para Software Livre, a tendência construiu uma “polícia secreta do século 21”, que
“tem mais dados do que agências de espionagem de regimes totalitários do passado”. […]
Folha - Somos nós que estamos nos expondo demais?
Eben Moglen - Não creio. É perfeitamente razoável pensar que o capitalismo do século 21 se baseie na descoberta de uma nova matéria-prima - a informação sobre nossas vidas privadas. O objetivo de sites como o Google é a reorganização da publicidade para favorecer o consumo em estilo americano. Se você sabe o que as pessoas buscam, pode definir sua publicidade por isso. E ferramentas como redes sociais sabem tudo sobre o consumidor.
As redes sociais espionam deliberadamente?
Sim, esse é seu negócio. A forma que encontraram de ganhar acesso à vida privada é oferecer páginas gratuitas e alguns aplicativos. É uma péssima troca para o usuário - degenera a integridade da pessoa humana. É como viver num regime totalitário.

O Facebook diz que as pessoas querem compartilhar suas vidas e eles só facilitam.
Sim, é um ótimo argumento. É por isso que a “polícia secreta do século 21” não tortura nem executa,e sim oferece “doces”. Nos ensinam a gostar disso. […]
Mas o Facebook é abertamente sobre exposição...
Toda a internet é sobre exposição. A diferença entre o que você pensa que está publicando e o que está de fato tornando público é na prática muito grande. Praticamente todos os movimentos na rede estão arquivados em algum servidor externo, fora do controle do usuário.
Folha de S. Paulo, 29 de junho de 2010 (excerto)

Imagem fotográfica
O cogumelo atômico de Hiroshima


Texto III
Chega-se a um ponto em que, à notícia de uma nova invenção técnica, a humanidade responde com um grito de horror.
Bertolt Brecht (adaptado)

Proposta
Como se há de ter observado, os textos e a imagem aqui apresentados partilham um mesmo tema.
Se o tema lhes é comum, suas perspectivas sobre ele são, no entanto, até opostas: de um lado, a ideia de um esclarecimento irrestrito e de uma “transparência total” é vista como um grande triunfo social e humano; de outro lado, essa mesma tendência é vista como a própria realização do mal social por excelência: a degeneração da pessoa humana, o totalitarismo, a alienação e a catástrofe. Como você vê essa questão? Em um texto dissertativo, exponha seu ponto de vista a respeito do assunto. Dê a sua redação um título adequado.

Outra de Rubem

Crônica

A OUTRA NOITE
Rubem Braga

Outro dia fui a São Paulo e resolvi voltar à noite, uma noite de vento sul e chuva, tanto lá como aqui. Quando vinha para casa de táxi, encontrei um amigo e o trouxe até Copacabana; e contei a ele que lá em cima, além das nuvens, estava um luar lindo, de lua cheia; e que as nuvens feias que cobriam a cidade eram, vistas de cima, enluaradas, colchões de sonho, alvas, uma paisagem irreal.

Depois que o meu amigo desceu do carro, o chofer aproveitou o sinal fechado para voltar-se para mim:

-O senhor vai desculpar, eu estava aqui a ouvir sua conversa. Mas, tem mesmo luar lá em cima?

Confirmei: sim, acima da nossa noite preta e enlamaçada e torpe havia uma outra - pura, perfeita e linda.

-Mas, que coisa...

Ele chegou a pôr a cabeça fora do carro para olhar o céu fechado de chuva. Depois continuou guiando mais lentamente. Não se sonhava em ser aviador ou pensava em outra coisa.

-Ora, sim senhor...

E, quando saltei e paguei a corrida, ele me disse um "boa noite" e um "muito obrigado ao senhor" tão sinceros, tão veementes, como se eu lhe tivesse feito um presente de rei.

Essa crônica é um belo exemplo de como emocionar com poucas palavras.

Rubem Braga

O Pavão

Rubem Braga


Eu considerei a glória de um pavão ostentando o esplendor de suas cores; é um luxo imperial. Mas andei lendo livros, e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há são minúsculas bolhas d'água em que a luz se fragmenta, como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas.

Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos. De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade.

Considerei, por fim, que assim é o amor, oh! minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de glórias e me faz magnífico.

Rio, novembro, 1958

Estudar Rubem Braga é importante para o aluno aprender as características da crônica.Leia outras crônicas do mestre.Bom estudo

Texto de Nelson

Complexo de vira-latas

Nelson Rodrigues



Hoje vou fazer do escrete o meu numeroso personagem da semana. Os jogadores já partiram e o Brasil vacila entre o pessimismo mais obtuso e a esperança mais frenética. Nas esquinas, nos botecos, por toda parte, há quem esbraveje: “O Brasil não vai nem se classificar!”. E, aqui, eu pergunto:

— Não será esta atitude negativa o disfarce de um otimismo inconfesso e envergonhado?

Eis a verdade, amigos: — desde 50 que o nosso futebol tem pudor de acreditar em si mesmo. A derrota frente aos uruguaios, na última batalha, ainda faz sofrer, na cara e na alma, qualquer brasileiro. Foi uma humilhação nacional que nada, absolutamente nada, pode curar. Dizem que tudo passa, mas eu vos digo: menos a dor-de-cotovelo que nos ficou dos 2 x 1. E custa crer que um escore tão pequeno possa causar uma dor tão grande. O tempo passou em vão sobre a derrota. Dir-se-ia que foi ontem, e não há oito anos, que, aos berros, Obdulio arrancou, de nós, o título. Eu disse “arrancou” como poderia dizer: “extraiu” de nós o título como se fosse um dente.

E hoje, se negamos o escrete de 58, não tenhamos dúvida: — é ainda a frustração de 50 que funciona. Gostaríamos talvez de acreditar na seleção. Mas o que nos trava é o seguinte: — o pânico de uma nova e irremediável desilusão. E guardamos, para nós mesmos, qualquer esperança. Só imagino uma coisa: — se o Brasil vence na Suécia, se volta campeão do mundo! Ah, a fé que escondemos, a fé que negamos, rebentaria todas as comportas e 60 milhões de brasileiros iam acabar no hospício.

Mas vejamos: — o escrete brasileiro tem, realmente, possibilidades concretas? Eu poderia responder, simplesmente, “não”. Mas eis a verdade:

— eu acredito no brasileiro, e pior do que isso: — sou de um patriotismo inatual e agressivo, digno de um granadeiro bigodudo. Tenho visto joga dores de outros países, inclusive os ex-fabulosos húngaros, que apanharam, aqui, do aspirante-enxertado do Flamengo. Pois bem: — não vi ninguém que se comparasse aos nossos. Fala-se num Puskas. Eu contra-argumento com um Ademir, um Didi, um Leônidas, um Jair, um Zizinho.

A pura, a santa verdade é a seguinte: — qualquer jogador brasileiro, quando se desamarra de suas inibições e se põe em estado de graça, é algo de único em matéria de fantasia, de improvisação, de invenção. Em suma:

— temos dons em excesso. E só uma coisa nos atrapalha e, por vezes, invalida as nossas qualidades. Quero aludir ao que eu poderia chamar de “com plexo de vira-latas”. Estou a imaginar o espanto do leitor: — “O que vem a ser isso?” Eu explico.

Por “complexo de vira-latas” entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. Isto em todos os setores e, sobretudo, no futebol. Dizer que nós nos julgamos “os maiores” é uma cínica inverdade. Em Wembley, por que perdemos? Por que, diante do quadro inglês, louro e sardento, a equipe brasileira ganiu de humildade. Jamais foi tão evidente e, eu diria mesmo, espetacular o nosso vira-latismo. Na já citada vergonha de 50, éramos superiores aos adversários. Além disso, levávamos a vantagem do empate. Pois bem: — e perdemos da maneira mais abjeta. Por um motivo muito simples: — porque Obdulio nos tratou a pontapés, como se vira-latas fôssemos.

Eu vos digo: — o problema do escrete não é mais de futebol, nem de técnica, nem de tática. Absolutamente. É um problema de fé em si mesmo.

O brasileiro precisa se convencer de que não é um vira-latas e que tem futebol para dar e vender, lá na Suécia. Uma vez que ele se convença disso, ponham-no para correr em campo e ele precisará de dez para segurar, como o chinês da anedota.

Insisto: — para o escrete, ser ou não ser vira-latas, eis a questão.

domingo, 1 de abril de 2012

Caio F. Abreu

Caio Fernando Abreu estudou Letras e Artes Cênicas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde foi colega de João Gilberto Noll. No entanto, ele abandonou ambos os cursos para trabalhar como jornalista de revistas de entretenimento, tais como Nova, Manchete, Veja e Pop, além de colaborar com os jornais Correio do Povo, Zero Hora, Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo.

Em 1968, perseguido pelo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), Caio refugiou-se no sítio de uma amiga, a escritora Hilda Hilst, em Campinas, São Paulo. No início da década de 1970, ele se exilou por um ano na Europa, morando, respectivamente, na Espanha, na Suécia, nos Países Baixos, na Inglaterra e na França.

Em 1974, Caio Fernando Abreu retornou a Porto Alegre. Chegou a ser visto na Rua da Praia usando brincos nas duas orelhas e uma bata de veludo, com o cabelo pintado de vermelho. Em 1983, mudou-se para o Rio de Janeiro e, em 1985, para São Paulo. A convite da Casa dos Escritores Estrangeiros, ele voltou à França em 1994, regressando ao Brasil no mesmo ano, ao descobrir-se portador do vírus HIV.

Em 1995, Caio Fernando Abreu se tornou patrono da 41.° Feira do Livro de Porto Alegre.

Antes de falecer dois anos depois no Hospital Mãe de Deus em Porto Alegre, onde voltara a viver novamente com seus pais, Caio Fernando Abreu dedicou-se a tarefas como jardinagem, cuidando de roseiras. Ele faleceu no mesmo dia em que Mário de Andrade: 25 de fevereiro. Seus restos mortais jazem no Cemitério São Miguel e Almas.[1]
Bibliografia





A casa onde Caio Fernando Abreu viveu seus últimos anos de vida, no bairro Menino Deus de Porto Alegre. Semana de Artes Modernas
Inventário do Irremediável, contos;
Limite Branco, romance;
O Ovo Apunhalado, contos;
Pedras de Calcutá, contos;
Morangos Mofados, contos;
Triângulo das Águas, novelas;
As Frangas, novela infanto-juvenil;
Os Dragões não conhecem o Paraíso, contos;
A Maldição do Vale Negro, peça teatral;
Onde Andará Dulce Veiga?, romance;
Bien loin de Marienbad, novela;
Ovelhas Negras, contos;
Mel & Girassóis, antologia;
Estranhos Estrangeiros, contos;
Pequenas Epifanias, crônicas;
Teatro Completo;
Cartas, correspondência;
Dov'è finita Dulce Veiga, romance;
Molto lontano da Marienbad, contos;
I Draghi non conoscono il Paradiso, contos;
Pra sempre teu, Caio F.
Teatro O Homem e a Mancha
Zona Contaminada
Tradução A Arte da Guerra, de Sun Tzu, 1995 (com Miriam Paglia).
A Balada do Café Triste, de Carson McCullers, 1991.
Fonte: Wikipedia

Segundo a revista Época,a obra de Caio será totalmente relançada neste ano de 2012.É esperar para ler.